'Temos que mudar essa mentalidade'
''Quando cheguei ao Brasil, em 1977, fiquei surpresa com a pouca quantidade de mato que havia, até no interior do País. Como vivia na Europa, imaginava o Brasil totalmente diferente, mais preservado, com mais mata virgem, mais bichos. Cheguei aqui e vi o contrário. Até entre as crianças a idéia era de matar qualquer animal silvestre que viam. Daí eu pensei: temos que mudar essa mentalidade'', lembra a alemã Margit Boye, 62 anos, que tomou a iniciativa de fundar o Grupo Vida Verde, hoje uma Organização de Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip).
Para tornar o sonho realidade, ela precisou reunir esforços e conseguiu a adesão da professora de ensino fundamental Regina Rodrigues e do empresário Toninho Villas Boas ambos co-fundadores da ONG. Hoje, a entidade conta com o apoio de alguns especialistas, como o engenheiro florestal da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Astolfo Vilhena, e o agrônomo Rudiger Boye (marido de Margit). Outros voluntários são pessoas da região que têm de berço uma arraigada veia preservacionista.
Desde o início, a principal preocupação era com a flora e a fauna das duas áreas de mata que sobreviveram à expansão agrícola do município, na década de 70: o bosque e Mata São Francisco, transformada em Parque Estadual em 1998, uma das bandeiras do Vida Verde.
Porém, a capilaridade do trabalho da ONG só se deu a partir de 1992, quando foi firmado um convênio com a Secretaria de Educação de Cornélio, por meio do qual todos os alunos da 4 série das escolas municipais teriam que passar por palestras e aulas dos ambientalistas. De início, as aulas eram ao ar livre, dentro do Bosque Manuel de Almeida. Com apoio de empresas privadas, a Oscip conseguiu construir, dentro do bosque, o Ecocentro Vida Verde.(J.K)





