Quando o assunto é café, qualidade pode depender do gosto, paladar, e hábitos de cada consumidor. Esta é a opinião de Carlos Henrique Jorge Brando, da P&A Marketing Internacional, que falou aos participantes do 3º Congresso Internacional de Biotecnologia na Agroindústria Cafeeira, sobre o tema ‘‘Sistemas de preparo e qualidade do café em diferentes regiões cafeeiras do mundo’’.
QualidadeAs pesquisas em biotecnologia ainda não estão voltadas para a melhoria de qualidadeNo Exterior, o Brasil tem fama de vender grandes volumes, mas de um produto de má qualidade, puxando os preços para baixo. Carlos Brando sugere que é preciso mudar estar imagem, investindo em marketing. ‘‘Os colombianos produzem um café ácido, e é conhecido como café de qualidade. Será que acidez é qualidade?’’ Na sua avaliação, a qualidade apregoada ao café colombiano é resultado de altos investimentos em propaganda. ‘‘Nos últimos 30 anos eles investiram US$1,5 bilhão em marketing’’, informou. Brando comentou ainda que no Brasil está-se discutindo a formação de uma Organização Não Governamental para se dedicar ao marketing. ‘‘Podemos fornecer diferentes tipos de cafés, para atender o gosto de cada consumidor’’, afirma.
ProcessosOs impactos dos três sistemas de processamento do café refletem diretamente na qualidade da bebida e variam conforme a tradição e condições climáticas de cada país. Brando analisou os processos via seca, via úmida e cereja descascado. O Brasil tradicionalmente produz o café via seca, mais encorpado e menos ácido e segundo Brando ideal para o café expresso. ‘‘Neste processo seca-se o grão com a polpa que é rica em açúcar’’.
Na Colômbia o processo mais comum é via úmida, com bastante acidez e pouco corpo e pouco aroma. Já o processo cereja descascado, chamado também semi-seco, criado em 92 no Brasil, mas especificamente no Sul de Minas, tem todas as vantagens do via seca e com uma bebida mais limpa. ‘‘O café é secado sem a polpa, mas com a mucilagem, o que vai lhe conferir características de aroma e paladar diferentes’’. Tem bom equilibrio entre corpo e acidez.
Illy CaféO mapa mostra quais os sistemas adotados pelos países produtores no processamento do caféA qualidade de um café vai depender das características da natureza, tratos culturais, pós-colheita e, mais recentemente, do desenvolvimento da biotecnologia. ‘‘Em geral os pesquisadores estão mais preocupados com o desenvolvimento de tecnologias para controlar pragas, resistências a doenças e aumento de produtividade. Existem poucos trabalhos voltados para a melhoria da qualidade’’, comentou Brando. Segundo ele, ‘‘o caminho do futuro é a busca de qualidade’’.
Para o empresário, fazer um café de qualidade não implica em elevação de custos. ‘‘Fazer qualidade é mais questão de gerenciamento e carinho, do que custos.’’
Aumentar consumoSegundo Brando, o Brasil tende a aumentar sua participação no mercado internacional, e entre os países consumidores de café, muitos não sabem, mas já estão bebendo café brasileiro. ‘‘O café brasileiro compõe aproximadamente 70% do cafés consumidos no Exterior. Até mesmo nos países nórdicos já se toma café do Brasil’’. Como no Exterior o mercado é de marcas e não de origem, poucas pessoas sabem que estão tomando café brasileiro. ‘‘Lá fora, um café embalado chega a ter de 4 a 5 origens misturadas (blends)’’.
P&A Marketing InternacionalO plantio de café adensado impulsionou a cafeicultura paranaenseCom a retomada do plantio no Paraná e aumento da produção em outros Estados, Brando vê boas oportunidades de fazer os países compradores aumentarem a compra de cafés brasileiros. O empresário gosta de falar em ‘‘cafés brasileiros’’ no plural, destacando a diversidade de tipos no País, possibilitada pelos diferentes processos e variação de latitude.
O Brasil já tem uma presença boa no setor de cafés especiais, lembra Brando. ‘‘Hoje, o café brasileiro é a base de qualquer expresso de qualidade, destacando-se o aroma e a doçura naturais do nosso produto’’. Outro aspecto é ampliar o diferencial de preços, e fornecer o produto adaptado ao gosto do consumidor.
MercadosSem esquecer o mercado internacional, Brando destaca que o brasileiro ainda é o maior comprador do café brasileiro. ‘‘São atualmente 12 milhões de sacas, que podem crescer em pouco tempo para 18 milhões de sacas.
No Brasil também existem diferenças na preferências dos tipos, conforme os hábitos de cada Estado. O Paraná, por exemplo, bebe um café tipo duro, e provavelmente estranharia o café bebida mole, segundo Brando.
Na Grécia, Turquia e sul do Mediterrâneo, os consumidores preferem o café bebida rio. Na Alemanha e Japão o consumo maior é de cafés de boa qualidade. ‘‘Produzir com qualidade é fundamental, mas se você não mostrar para as pessoas a sua qualidade e não atender adequadamente o desejo de seu cliente, não haverá retorno econômico.’’

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