Seu Jesus não desiste do café por nada nessa vida. O motivo, resume, ''é o que eu sei fazer bem''. Ele conta que já experimentou trocar o cafezal por hortas, mas a lida diária com veneno o afastou da olericultura.
Hoje, com variedades mais precoces e resistentes a doenças, o pequeno cafeicultor consegue boa produtividade e lucratividade. A produção gira em torno de 25 sacas por alqueire nas safras cheias e a saca tem sido vendida a até R$ 250, conforme o acordo obtido pela associação de produtores.
Depois de colhido, o café de seu Jesus é armazenado numa tulha da propriedade até que ele consiga o melhor preço possível pela saca. ''O comércio justo é bom porque elimina o atravessador. A produção é a mesma, mas o preço recebido pelo café é muito melhor'', avalia.
O vizinho Rafael de Paula Ambrósio também vê no mercado justo a única saída para os agricultores familiares. ''Com o mercado interno do jeito que está, o comércio justo é uma proposta muito animadora'', afirma.
Dos seus 50 anos, Ambrósio viveu apenas oito anos fora do sítio onde mora com a esposa e dois filhos, na comunidade da Água da Laranja Azeda. Os pés de café mais antigos da propriedade de 2,5 alqueires têm 42 anos e estão sendo substituidos, aos poucos, por varidades mais resistentes à ferrugem.
O cafeicultor também está trocando o sistema convencional pelo adensado para aumentar a produtividade. De 4 mil pés, o cafezal passou a contar com 9 mil pés, que devem render até 120 sacos/mil pés nas contas de Ambrósio.
Quatro pessoas trabalham na colheita seletiva do café garantindo o tipo 6, de bebida dura. Para subsistência, a família cultiva ainda milho e feijão nas entrelinhas do cafezal. ''É uma vida trabalhosa. Tem que lutar para sobreviver.'' (M.G.)

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