Tem mais laranja no pé
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sábado, 01 de novembro de 2008
Edson Pereira Filho<br>Reportagem Local 
A produção de laranja no Paraná vem crescendo ano a ano. Entre 2005 e 2007, o setor registrou um aumento de 36% em toneladas. No ano passado o balanço final da colheita mostra a produção de 499,4 mil toneladas da fruta em comparação com as 365,5 mil toneladas de laranjas produzidas em 2005. Agricultores apontam um aumento de produção de 25% por pé. A Cooperativa Agroindustrial de Rolândia (Corol) projeta para este ano produzir 2,3 milhões de toneladas de suco, bem acima dos 1,89 milhão do ano anterior. Mas a citricultura se recente da queda nos preços no mercado externo, além da crise mundial que pode desacelerar o consumo do fruto no mundo.
O diretor da Corol, Benno Roes, é cauteloso em falar sobre o preço do suco no mercado externo, mas expõem alguns números, projetando que o faturamento possa não ser o mesmo de anos anteriores. Segundo ele, o preço da tonelada caiu de US$ 2 mil em 2007, para cerca de US$ 1,7 este ano. Perguntado se a valorização do dólar não estaria compensando a perda de preço, o diretor declarou que a média em 2007 da moeda americana (em relação ao real) foi da ordem de R$ 2,01. Entrentanto, até outubro deste ano o dólar registra uma média de US$1,68. ''Não estamos ganhando com a variação cambial. E ainda suponho que haverá uma redução do consumo de suco no mundo, diante da crise mundial'', reflete.
Outro fator que pode interferir na rentabilidade, segundo ele, é que as laranjas colhidas nesta safra estão com um menor índice de brix - teor de açúcar. Para se obter uma tonelada de suco da fruta é preciso esmagar cerca de 250 caixas (de 40,8 quilos cada). Com as laranjas menos doces as cooperativas estão processando 270 caixas para obter a mesma quantia de suco concentrado. O diretor da Corol, Benno Roes, desconfia que fatores climáticos sejam a causa da menor intensidade no brix. Ele administra da sede da Corol em Rolândia, 270 agricultores do Norte do Paraná, espalhados em 43 municípios.
O Paraná exporta o suco para Europa, EUA e Oriente Médio, além de alguns países do continente asiático. A Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus) projeta para o setor um faturamento este ano de US$ 2 bilhões, empregando 400 mil pessoas. O destaque no Paraná ficou por conta da área plantada, que pulou de 14,80 mil hectares em 2005, para 18,4 mil hectares ano passado.
Se as incertezas do clima, da crise mundial e do dólar deixam seus rastros de dúvidas e riscos, o agricultor continua a dar lições de superação. Valdemar Poliquezi, administrador da Fazenda Veseroda, na região de Rolândia, tem certeza que a citricultura brasileira irá compensar tais desacertos. A fazenda possui 27 mil pés de laranja do tipo Pêra, Valência, Folha Murcha e Iapar. A colheita iniciada em junho deste ano, tem apontado um crescimento de 25% da fruta por pé. ''Ano passado colhia quatro caixas por pé, este ano cinco caixas'', comemora.
Polequezi conta que três caminhões de 18 toneladas de laranja seguem todos os dias em direção a Corol. ''A colheita da laranja vai até dezembro'', diz. Vinte e cinco catadores trabalham na colheita do fruto. Ele calcula que 135 mil caixas serão colhidas até o final deste semestre, contra 108 mil no mesmo período do ano passado. O administrador informa ainda, que nos 24 anos que trabalha na fazenda, esta será uma das maiores safras. ''Existe pés de Folha Murcha com dezoito anos de vida que estão carregados além da conta'', exemplifica.


