Tecnologias para produzir mais
As origens rurais parecem inspirar o desejo e necessidade de realizar tarefas e atividades no campo, apesar da opção pela vida na cidade. O empresário Luiz Carlos Soares Litchteneker, proprietário de uma oficina de veículos em Londrina, é um exemplo disso. Porém, não é só o saudosismo que leva o empresário a investir na propriedade rural: Litchteneker encara o sítio de 11,5 alqueires em Tamarana, no Norte do Estado, como se fosse a atividade principal da família.
''Fui criado no sítio, sempre gostei da vida na roça, está no sangue'', resume, ao falar da sua preferência pela propriedade rural. Tanto que ultimamente a administração da oficina tem ficado sob a responsabilidade da mulher Madalena.
Desde que comprou o sítio, há 20 anos, o empresário adota na propriedade tecnologias disponíveis para as diversas culturas. Trinta mil pés de café foram implantados com a tecnologia do adensamento e o barracão onde cria 25 mil aves é totalmente automatizado e tem, inclusive, um cortinado azul, que garante melhor conforto e diminui o estresse dos animais.
Litchteneker não abre mão das recomendações técnicas para desenvolver as atividades no sítio. ''O Romeu (de Souza, técnico da Emater) me ensinou direitinho a fazer o plantio do café'', diz. Para a cultura do milho, manejo de algumas vacas que fornecem leite, carneiros e peixes também segue à risca as orientações da assistência técnica. O produtor ainda destaca a assistência de um técnico da Corol.
Dedicação e profissionalismo dão resultado, apesar de ainda não ter lucratividade. O café já rendeu duas colheitas. ''Em 2008 foram 1.100 sacas, no ano passado, de safra baixa, foram 600 sacas. Mas agora devemos ultrapassar as 2 mil sacas'', diz. A granja funciona no sistema de integração com uma indústria da região. Outro benefício da organização da propriedade é a utilização do esterco como adubo.
O empresário usufrui de um outro benefício, este difícil de mensurar. Segundo ele, os sintomas da diabetes, doença que lhe prejudicou vários órgãos, diminuem ''50% quando está no sítio. É um prazer estar aqui'', afirma. Litchteneker diz que vai ao sítio de duas a três vezes por semana, apesar de certa discordância da mulher e filhas.
''Sou descendente de alemães, de quem herdei o gosto por oficina de automóveis e propriedade rural'', afirma. Uma das filhas do empresário é enfermeira e trabalha em Londrina; outra cursa medicina em Cascavel, no Oeste do Estado. ''Quando ela se formar, pretendo me mudar definitivamente para o sítio'', assegura.
A destinação de parte dos salários de atendente de telemarketing e policial militar a uma pequena propriedade no distrito de Lerroville não representa problema para Cleuzeli Fernandes da Silva e Neri Canedo, de Londrina. Há 10 anos, o casal comprou uma área de 24 mil metros, com a intenção de ''desfrutar e cuidar da natureza''.
Mas os dois viram na propriedade a oportunidade de ampliar os ganhos da família. ''Por enquanto estamos na fase de investimentos'', afirma Cleuzeli, ao descrever com orgulho os avanços na atividade rural.
Parte da área foi arrendada, e no restante Cleuzeli e Neri plantaram 700 pés de café, milho e instalaram um barracão para frangos e pocilga para porcos, que por ora suprem as necessidades da família e rendem algum dinheiro com a venda para vizinhos e amigos. Os ganhos, segundo ela, são reinvestidos na propriedade. Porém, a manutenção da chácara exige mais. ''Em 2009 foram mais de R$ 6 mil e este ano até agora já colocamos R$ 5 mil'', calcula.
O dinheiro tem destino certo. Segundo Cleuzeli, a intenção do casal é instalar uma estufa para o cultivo do tomate, que vai ampliar a produção de hortaliças como alface, almeirão, serralha e rúcula. ''Vamos fazer um estudo para ver se teremos colheita suficiente para atender um comprador'', diz, ciente da necessidade de planejar e organizar a produção. (R.C.)





