Tecnologias mudam cenário do agreste alagoano
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sábado, 09 de fevereiro de 2002
Silvio Oricolli Equipe da Folha 
Cascavel - Aumento de produtividade de 317% no milho e de 285,7% na produção de leite. Estes índices são o passaporte que garante a viagem de técnicos, produtores agropecuários, políticos por 3,7 mil quilômetros entre Palmeira dos Índios, no agreste de Alagoas, até Cascavel, no Oeste do Paraná, para assistir ao Show Rural Coopavel. Aliás, rotina ciceroneada por Luciano Monteiro, presidente da Cooperativa Agropecuária de Palmeira dos Índios (Carpil), que descobriu há cinco anos o que considera uma fonte de difusão de tecnologia agropecuária, que tem mudado o panorama agropecuário de 15 municípios do agreste, da zona da mata, e início do sertão alagoano.
Nesse ano, a comitiva esteve composta por 104 pessoas, entre filhos de agricultores, técnicos, políticos, secretários municipais de agricultura, que chegaram a Cascavel na última segunda-feira, depois de 58 horas de viagem de ônibus. O objetivo ainda é o mesmo que motivou o deslocamento de um pequeno grupo, integrado por seis técnicos e cinco produtores, há cinco anos: buscar tecnologia para modernizar a agropecuária da região onde moram. Os resultados que já obtivemos demonstram que há tecnologia disponível aos produtores rurais, que, independente da região, podem ser adaptadas à nossa realidade, diz Monteiro.
MilagreO que, no início era motivo de chacotas - ele chegou a ser chamado de mentiroso, sonhador, até de milagreiro - por defender a modernização da agropecuária alagoana com o uso de técnicas modernas, acabou se transformando em estímulo para milhares de pequenos produtores - são quase 15 mil com propriedades de até 10 hectares, dos quais 1.068 são associados da Carpil. Estamos acordando para a nova realidade da agropecuária brasileira, em busca do aumento da produtividade e da melhoria da qualidade e da renda do produtor, enfim, procurando nos preparar para participar de um mercado exigente, diz o presidente da cooperativa.
Monteiro dá números à transformação que se processa em sua região a partir da adaptação de tecnologias desenvolvidas pela Cooperativa Agropecuária Cascavel (Coopavel), a promotora do Show Rural: atualmente a produtividade média de milho é de 4,38 toneladas por hectare, que representam 317% de incremento em comparação à 1,05 tonelada por igual área. A pecuária leiteira também cresceu, ao passar de três a quatro litros de leite por propriedade que tinha de duas a três vacas para 13,50 litros por vaca. Atualmente, em média, cada produtor tem sete animais.
Só isso já garante, livre, renda quinzenal de R$ 122,00, afirma, acrescentando que a cooperativa montou postos de coleta granelizada e resfriamento de leite para atender grupos de 40 a 50 produtores, num raio de cinco quilômetros, que ainda dispõem de estrutura para inseminação artificial, revenda de insumos e cursos sobre mudanças tecnológicas, sob a supervisão de técnicos da Coopavel.
DiversificaçãoMonteiro mantém várias atividades nos 58 hectares de sua propriedade, a Agropecuária Iracema, em Belém, distante 24 quilômetros de Palmeira dos Índios. Segundo ele, antes de adotar tecnologias de produção e de gestão, visando transformar o sítio em uma empresa rural, contabilizava apenas prejuízos. A suinocultura, por exemplo, lhe garante líquidos R$ 540,00 mensais. E, com melhoramento genético, está incrementando a produção da pecuária de leite. Atualmente, a produção das 17 vacas em lactação é de 216 litros por dia. Ele tem ordenhadeira mecânica e tanque de resfriamento na propriedade.
E, de acordo com Monteiro, é a transferência de tecnologia que tem proporcionado a mudança de perfil da região de Palmeira dos Índios, que, agora, busca a modernização e a profissionalização de suas propriedades familiares. Um dos maiores benefícios para dar prosseguimento aos projetos foi a sobrevivência da cooperativa, que estava para ser fechada há seis anos, por absoluta falta de condições financeiras e econômicas de continuar no mercado.
No ano passado, a Carpil faturou R$ 2,8 milhões, o que representa crescimento de 21,73% no comparativo com 2000. No atual exercício, com incremento de 257% na receita bruta, a previsão é movimentar R$ 10 milhões.


