A produção de Ramiro Alves garante o abastecimento de suas lojas, num volume médio mensal de carne de mil porcos, 30% direcionados à produção de embutidos
A produção de Ramiro Alves garante o abastecimento de suas lojas, num volume médio mensal de carne de mil porcos, 30% direcionados à produção de embutidos | Foto: Marcos Zanutto


Desde 1980 na atividade da suinocultura, e produtor rural e empresário Ramiro Dias Branco Alves acompanhou toda a evolução da cadeia no Paraná até o status que encontra hoje, de excelente produção e crescimento gradativo na aceitação do consumidor, que deixou de acreditar em muitas "lendas" acerca da carne de porco. Proprietário dos supermercados Santarém, atualmente ele conta com duas granjas: uma delas com 400 matrizes e outra especificamente para engorda. Nas cinco unidades do seu negócio, a comercialização de carne tem média de mil porcos mensais para o cliente final, sendo 30% direcionado a embutidos e o restante animais in natura. Ou seja, ele possui uma expertise ao longo da cadeia.

Para Ramiro, como em qualquer outra atividade, a aposta em tecnologia é fundamental para o negócio evoluir e, no caso do Brasil, inclusive auxiliar nessa quebra de tabus acerca da carne de porco. Aliás, pessoas relacionadas ao setor dizem que a cadeia deu um salto até na nomenclatura: "passando de porco para suíno". "Todo mundo precisa colocar tecnologia, boas práticas do manejo, que passa pelo bem-estar animal. Hoje por exemplo evitamos o contato dos animais com as fezes, temos pisos furados, há uma série de inovações técnicas, tanto em matéria de produtos para sanidade, como dieta alimentar, genética dos animais, tudo isso evoluiu. É um investimento constante".

Na outra ponta, Ramiro relata que não deixa de fomentar a comercialização do suíno entre seus clientes. O Santarém possui uma tradição positiva na comercialização de carnes na cidade, e os suínos não ficam de fora desse processo. "O Brasil ainda está muito atrasado em termos de consumo per capita, muito devido a questões culturais, que geram uma certa restrição. No supermercado incentivamos inclusive a venda do bife suíno, que é comum na Europa, e do filé, e às vezes até já da carne temperada. Aos poucos, vamos tirando esse preconceito."

Mas esse trabalho constante ainda está envolto de todo o cuidado, o que inclui a castração dos animais. No caso de Ramiro, a castração ainda é a cirúrgica, que acontece nos primeiros sete dias de vida dos animais. Uma estratégia para correr risco zero com o consumidor final. "Com a imunocastração, considero um risco. É bem verdade que o animal com testículos, com os hormônios da testosterona, ganha mais peso, e (a imunocastração) é bacana porque acontece só de 30 a 60 dias antes do abate e assim deixa o hormônio produzir crescimento. Mas se o profissional não fizer na dose adequada, escapar algum animal do lote, ou ocorra algum refluxo na hora de aplicar a dosagem, corre-se um risco sério de algum dos animais terem hormônio circulando na carne e e assim deixar gosto característico do reprodutor. Como varejista da carne é um problema muito sério, porque se deixar um animal sem castrar, deixamos de 30 a 40 consumidores descontentes. Para não correr risco, preferimos um animal talvez com um ganho de peso menor, mas uma segurança com relação ao gosto da carne." (V.L.)

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