Tecnologias favorecem resgate do algodão no Paraná
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sexta-feira, 25 de abril de 2008
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Resgatar para o estado a posição de grande produtor nacional de algodão é possibilidade quem vem sendo buscada por pesquisadores, coooperativas e produtores do Paraná. O estado, que já foi o responsável por 50% da produção brasileira com uma área de mais de 700 mil hectares, hoje cultiva apenas 7 mil hectares.
A área, muito longe daquela cultivada no auge do algodão no Paraná, representa uma boa perspectiva para a cultura, segundo avaliação do presidente da Cooperativa Central do Algodão (Coceal), Almir Montecelli. ''Estamos otimistas, porém com o pé no chão. A cotonicultura pode ser retomada por meio das tecnologias disponíveis'', afirma, citando projeto desenvolvido pela cooperativa no norte do estado. (ver matéria nesta edição).
Wilson Paes de Almeida, coordenador do programa algodão do Iapar, afirma que as novas tecnologias disponíveis são importantes para a manutenção da cultura no Paraná. ''Vivemos um momento delicado; o declínio do algodão é um risco ao produtor'', alerta, lembrando que as algodoeiras paranaenses estão se transferindo para o centro-oeste.
O sistema atual de produção requer altos investimentos e é, ao mesmo tempo, de alto risco. A colheita mecânica convencional, cujas máquinas têm alto custo, impossibilita que pequenos produtores se dediquem à cultura. Essa realidade, segundo Almeida, motiva pesquisadores do Iapar a desenvolver cultivares e tecnologias para aumentar a rentabilidade do algodão no estado. Essas alternativas podem viabilizar a cultura para pequenos produtores, que terão custos menores.
Novas tecnologias de produção, como o adensamento, algodão orgânico e até colorido, podem ser as alternativas para a recuperação da cotonicultura paranaense. A nova tecnologia de plantio é objeto de pesquisa do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), coordenada pelos pesquisadores Ruy Seiji Yamaoka e Celso Jamil Marur. Outros estudos com a cultura contam com parcerias com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), associação de produtores e cooperativas.
Partindo de cultivares adaptadas, o novo sistema de produção vem sendo implantado no Paraná. A diminuição do espaçamento entre as plantas permite muitos ganhos ao produtor porque possibilita a melhor utilização da luz solar, um maior aproveitamento dos nutrientes favorecido pela distribuição do sistema radicular, além da diminuição das perdas em função de falhas de plantio.
O menor espaçamento entre plantas, de duas vezes a duas vezes e meia menor que o convencional, traz também como vantagem a redução da perda de água por evapotranspiração, além da menor competição com ervas daninhas porque a cultura cobre mais rapidamente o solo.
A precocidade de alguns materiais favorece a produção no Paraná, onde o período de colheita coincide com a época de chuvas mais intensas, ao contrário dos estados da região Centro-Oeste. ''No plantio convencional, o período entre o aparecimento da primeira à última bola do algodão é de 45 dias. Essa nova tecnologia permite reduzir esse período em 15 a 20 dias, o que pode diminuir prejuízos'', afirma Almeida.
Outra vantagem do sistema é que as plantas geram menos frutos, o que reduz o período de abertura das bolas, diminuindo a possibilidade de problemas na lavoura. Essas características atendem também necessidades dos pequenos produtores, que podem se livrar dos riscos climáticos.
A redução do ciclo da cultura possibilita um ganho econômico ao produtor. ''É possível diminuir aplicação de defensivos e herbicidas e suprimir uma geração do bicudo'', relata. O produtor pode também optar por uma segunda cultura, como o milho safrinha. A nova tecnologia é demonstrada em dias de campo, programados para Palotina, Umuarama, Goioerê, Santa Inês e Assaí.


