Tecnologias desenvolvidas
Não só cultivares adaptadas a regiões de baixa latitude foram responsáveis pela expansão da soja no Brasil. Tecnologias de recuperação da fertilidade do solo e o desenvolvimento de técnicas culturais como espaçamento, densidade e controle de plantas daninhas e pragas também foram importantes contribuições da pesquisa.
A Embrapa Soja desenvolveu ainda controles biológicos contra pragas. A utilização de vespas (Trissolcus basalis) no controle biológico dos percevejos da soja e um inseticida natural, produzido através de lagartas contaminadas por vírus (Baculovirus anticarsia) para controlar a lagarta-da-soja.
Segundo o pesquisador Flávio Moscardi, hoje, o baculovirus é utilizado como inseticida biológico em 1 milhão e 400 mil hectares de soja. A utilização dessa prática evita a aplicação de 1,3 milhão de litros de inseticidas nas lavouras brasileiras, promovendo uma economia anual de cerca de R$20 milhões.
Uma técnica alternativa para racionalizar a utilização de produtos químicos é a mistura de inseticida com sal, tecnologia hoje utilizada em 5,5 milhões de hectares de soja no Brasil. ‘‘Com essa tecnologia, é possível reduzir em 2 milhões de litros a aplicação de inseticidas no controle de percevejos da soja. Além de diminuir o impacto ambiental, há uma economia de cerca de 12 milhões de dólares para os produtores brasileiros’’, explica o pesquisador Ivan Corso.
Outra grande contribuição da pesquisa foi o desenvolvimento do Diagnóstico Completo da Semente de Soja (Diacom), método que fornece uma espécie de ‘‘raio da qualidade’’ das sementes. ‘‘Depois de criado o Diacom, o volume de sementes descartadas no País diminuiu em 10%’’, afirma o pesquisador José de Barros França Neto. ‘‘Anualmente damos treinamentos sobre o assunto, para capacitar os profissionais da área e, assim, evitar o descarte de sementes boas’’, acrescenta o pesquisador.
Para evitar o desperdício durante a colheita, a Embrapa-Soja desenvolveu um kit, formado por um copinho volumétrico para avaliar as perdas de grãos, um manual de utilização da tecnologia e um vídeo sobre o assunto. O Programa de Redução de Perdas existe há 20 anos, mas mesmo assim, o agricultor brasileiro ainda perde muito. ‘‘Durante o processo de colheita, o agricultor deixa no solo duas sacas de soja por hectare, quando a perda aceitável seria de uma saca por hectare. Aquele índice representa prejuízos anuais de R$200 milhões, acima do limite tolerável’’, avalia o pesquisador César Mesquita.(L.L.)

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