Tecnologias a serviço do melhoramento
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sexta-feira, 21 de junho de 2002
Cláudia Barberato<BR>Reportagem Local 
O pecuarista que investe em genética animal tem hoje nas mãos várias ferramentas que possibilitam aproveitar melhor o potencial de animais de alto valor genético e, com isso também, dobrar o número de nascimentos dentro da propriedade.
Pelos caminhos normais uma fêmea pode produzir um bezerro por ano. Com técnicas como uso de sêmen de touros provados, superovulação, inseminação artificial e a transferência e bipartição de embriões pode-se obter, no mesmo prazo, em média, dois filhos dessa mesma fêmea.
Usando a bipartição de embriões, ou seja, dividindo em dois cada um dos embriões que uma fêmea pode produzir, o pecuarista tem a possibilidade também de aproveitar todo o investimento feito com a compra de animais de alto valor genético. A afirmação é do veterinário Ernesto Cristóvan da Silveira, da Produtiva-Embriomass, empresa de Londrina que atua na área de reprodução e melhoramento bovino e atende propriedades do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
O veterinário admite que o uso da técnica ainda é restrito a pecuaristas que já avançaram na adoção de tecnologias em suas propriedades. De preferência que tenham fêmeas receptoras em quantidade para receberem os embriões e que esses animais recebam alimento de qualidade e manejo sanitário correto. O zootecnista Renato Castanho, também da Produtiva, garante que a tecnologia tem trazido bons resultados nas propriedades assistidas pela empresa.
Para produzir vários embriões a vaca deve receber medicamentos que provoquem uma superovulção, ou seja, a produção de vários óvulos que serão fecundados pelo uso de sêmen na inseminação artificial.
Uma vaca superovulada dá, em média, uma coleta de 4 embriões a cada 40 dias que resultam em 2 prenhezes, numa média de 50% de aproveitamento. Em alguns casos o número de embriões e de prenhezes pode ser maior.
Renato e Ernesto explicam que a coleta dos óvulos fecundados, que já são embriões, e a bipartição desses embriões para a transferência é feita à campo. Depois de divididos esses embriões são transferidos para outras fêmeas, chamadas de receptoras, que emprestam a barriga para a gestação de um futuro animal.
A transferência e da bipartição, explicam os técnicos, tem sido utilizada por pecuaristas que querem aproveitar o potencial genético de seus animais, conseguindo filhos com as mesmas características dos pais, com precocidade, bons índices de reprodução, desenvolvimento e ganho de peso.
O zootecnista Renato Castanho, garante que os índices de prenhezes da transferência normal de embriões ou da bipartição não têm diferença. Na média o sucesso é de 50%. Usamos micromanipuladores no campo e conseguimos dividir os embriões de acordo com o número de fêmeas receptoras que o pecuarista tem na fazenda. Já tivemos casos 5 prenhezes a partir de 3 embriões.
A técnica da bipartição, explica Renato, tem sido adotada por pecuaristas que querem aumentar o número de prenhezes no plantel, reproduzindo filhos de animais de alto valor zootécnico num acasalamento quase perfeito, mas também pode ser usada para animais que produzem poucos embriões.
Os primeiros produtos da bipartição de embriões deverão começar a nascer em setembro. Desde o ano passado eles realizam o trabalho em 15 propriedades. Em média, os técnicos cobram R$ 400 pela prenhez e há um custo da coleta de embriões feita na propriedade.
Durante a coleta, segundo Renato Castanho, quanto mais embriões forem coletados e bipartidos, maior será o número possível de prenhezes. Ele garante que o o retorno para o pecuarista também vem em dobro.
Além de garantir uma continuidade genética no rebanho o comércio de embriões pode ser muito compensador, afirmam Renato e Ernesto. Prova disso, avaliam, tem sido o aumento nos preços médios obtidos nos leilões de prenhezes, realizados em feiras agropecuárias. Uma leilão de prenhezes, segundo os técnicos, que aconteceu em abril, durante a exposição de Londrina, por exemplo, teve média nas vendas de R$ 33 mil por prenhez, o que demonstra que o retorno econômico da tecnologia pode ser muito superior ao imaginado.


