Tecnologias à serviço de qualidade e lucro
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sexta-feira, 29 de março de 2002
Luciano Augusto Reportagem Local 
Chips, equipamentos eletrônicos, antenas e computadores. Ao contrário do que pode parecer, esse cenário já não é mais ficção e deverá ser realidade na maioria das fazendas brasileiras dentro de algum tempo. Hoje apenas as grandes propriedades já caminham para a chamada rastreabilidade, uma tendência mundial. O Brasil, com um dos melhores rebanhos do mundo e o maior em número de cabeças, vai ter de seguir as regras se quiser continuar tendo resultados positivos com a pecuária de exportação.
O próprio Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento baixou uma instrução normativa, em 9 de janeiro deste ano, reiterando a necessidade de caracterizar o rebanho bovino e bubalino nacional, assim como a segurança dos seus produtos. A instrução criou o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov), que é gerenciado pela Secretaria de Defesa Agropecuária.
Antecipando a necessidade de modernização, a Farm Shopping (rede de varejo agropecuário) em conjunto com a Allvet (indústria de produtos veterinários) realizaram no último sábado, 23 de março, um dia de campo na fazenda experimental São Manoel do Triunfo (km 38 da PR-445), em Londrina, para cerca de 200 pecuaristas da região. Foram abordados dois assuntos: identificação eletrônica e rastreabilidade do rebanho; produção de silagens pré-secadas.
Sistema prático O primeiro tema foi exposto pelo pesquisador da Embrapa Gado de Corte de Campo Grande (MS), Pedro Paulo Pires. O sistema de identificação e gerenciamento eletrônico, que consumiu cinco anos de pesquisas, foi criado para ajudar no controle sanitário, nutricional e reprodutivo do rebanho. É um sistema bastante prático, adaptado à realidade brasileira, que pode ser operado por qualquer peão, garantiu Pires.
O método é simples. Um chip eletrônico é colocado na prega do umbigo do animal jovem, ou no estômago do animal adulto. A partir daí, o sinal emitido pelo equipamento é captado por uma antena que retransmite a mensagem codificada para uma central armazenadora. Os dados são repassados a um micro comum preparado com um software (programa de computador), onde as informações são analisadas. A captação das informações do rastreamento é feita pelo teclado do peão, como ficou conhecido. Trata-se de um painel com dispositivos eletrônicos que permite executar as mudanças de funções quando o gado estiver sendo submetido a várias atividades ao mesmo tempo.
Custos O investimento para implantação do sistema de identificação da Embrapa e gerenciamento eletrônico de bovinos de corte está orçado, hoje, em torno de R$ 5 mil para aquisição de equipamentos e mais o valor dos chips, que têm custo médio de US$ 3,00 a unidade. O retorno, segundo Pires, é líquido e certo. Com a certificação do rebanho, a carne terá um valor de mercado muito maior, precisou. De acordo com o pesquisador, há estimativas que calculam que o preço de uma arroba certificada poderá atingir até US$ 80,00. Temos que fazer nossa vantagem (em termos qualitativos do rebanho), fazer a diferença, porque os concorrentes estão brigando para tomar nosso mercado.
Pré-secados O bom pecuarista sabe que para ser competitivo e adotar novas tecnologias tem que ter além de genética no rebanho, manejo e, principalmente, alimento de qualidade disponível aos animais. Esse alimento, especialmente no perído de inverno, pode garantir a manutenção do peso dos animais e menores prejuízos ao pecuarista. Quando há o preparo de suplementação para ser fornecida na seca os animais além de se manterem podem até ganhar peso no inverno. Há alternativas como a silagem que pode ser incluída no cardápio do rebanho.
Uma alternativa de armazenamento de alimentos para o inverno, apresentada no dia de campo, foi a silagem pré-secada em bolsas, técnica adotada na América do Norte há mais de 20 anos. Nesse sistema o alimento é enfardado em bolsas plásticas que ficam ao ar livre.
Segundo o empresário Tonny Salvador, da Stabra, a técnica garante a armazenagem de alimentos de alto valor nutritivo para o gado no período de estiagem. Com essa técnica, o criador consegue ter 300 cabeças numa área que caberia 100, afirmou Salvador.
Segundo o empresário o sistema de silagem pré-secada em bolsas é viável em propriedades a partir de 20 hectares. O conjunto de equipamentos necessários é formado por cortadeira, meleirador, enfardadeira de fardos redondos de câmara variável e um plastificador. As bolsas ou esferas podem ser deixadas ao ar livre ou armazenadas em locais cobertos e, segundo Salvador, suportam tranquilamente uma espera de um ano para o consumo do material ensilado. O investimento inicial é de R$ 60 mil, que pode ser financiado em até cinco anos através do BNDES.


