Tecnologia reduz perdas na colheita do feijão
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sexta-feira, 22 de julho de 2016
Reportagem Local 

Uma tecnologia que permite adaptar as colhedoras usadas para soja e trigo para a colheita mecanizada do feijão pretende reduzir as perdas nesta etapa da produção e, assim, garantir mais rentabilidade aos produtores e mais oferta do alimento na mesa dos brasileiros. Trata-se de uma adaptação na plataforma específica para a cultura, desenvolvida pela empresa Incomak, de Jandaia do Sul (Norte), com apoio tecnológico do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio (Fapeagro).
De acordo com o pesquisador Hevandro Colonhese Delalibera, da área de Engenharia Agrícola do Iapar, o projeto da empresa obteve recursos de financiamento público por meio de Subvenção Econômica de Inovação (Tecnova). "O Iapar oferece ferramentas tecnológicas para reduzir o custo do desenvolvimento e da produção e também fará a validação do produto. A Fapeagro é a gestora do recurso direcionado para a instituição pública", explica.
Na prática, o projeto visa melhorar o processo de colheita mecanizada do feijão. Delalibera conta que, nas lavouras, os produtores rurais dispõem até agora de duas opções de colheita: a semimecanizada, com parte do processo de colheita realizada manualmente por trabalhadores e parte realizada por máquinas; ou a colheita mecanizada, com utilização de colhedoras com plataforma de colheita empregada para soja ou trigo.
"A questão é que o feijão é uma cultura regional, em termos de mundo, e há pouco tempo de pesquisas em melhoramento voltadas a selecionar plantas com características interessantes para a colheita mecanizada, como já ocorre com a soja", explica o pesquisador, destacando que as plantas possuem hábito de crescimento prostrado, ou seja, são muito rasteiras. Essa característica dificulta a mecanização, proporcionando perdas de até 30% dos grãos quando usados os equipamentos fabricados para commodities, sendo que pelo menos metade disso é proporcionado pela plataforma de corte e recolhimento da colhedora.
Para reduzir esta perda, o pesquisador do Iapar está auxiliando a Incomak em uma adaptação para as plataformas das colhedoras que as tornam mais eficientes para o feijão. "Estamos testando uma alteração no molinete que permite pegar as plantas mais próximas do chão", esclarece. A tecnologia também é adequada para a soja quando a cultura apresenta baixa produtividade e estatura de planta.
Segundo ele, é uma alteração simples, de baixo custo, que vai garantir uma colheita mais eficiente do feijão sem necessidade de comprar uma nova máquina. "Basta trocar a peça da plataforma da colhedora para adaptá-la ao feijão. Quando for colher soja ou trigo, é só retornar o sistema original da plataforma caso seja necessário", reforça.
Delalibera destaca que as grandes empresas multinacionais da área de máquinas agrícolas concentram-se no desenvolvimento de tecnologia para as grandes culturas mundiais. "O feijão é um alimento comum para os brasileiros e outros poucos países. Como a grande indústria não se interessa pela cultura, torna-se um nicho interessante para as empresas nacionais menores", destaca.
Os resultados finais da pesquisa e o produto acabado serão apresentados pelo Iapar em fevereiro de 2017, durante o Show Rural em Cascavel. Profissionais da área de colheita que estão testando o produto, porém, garantem que os resultados são surpreendentes.
Celso Ferreira Leite tem uma que terceiriza a colheita de várias culturas na região de Jardim Alegre. Ele é um dos parceiros do projeto e está testando a plataforma para colheita de feijão. A cada alqueire, ele costumava perder cerca de 20% da produção usando a máquina de soja. Com o equipamento adaptado para o feijão, reduziu as perdas para 5% a 7%.
Ele colhe em média 100 alqueires ao ano e contabilizava perdas de 8 a 10 sacas por alqueires. "Agora reduzimos para 3 a 4 sacas", diz, destacando que a eficiência da tecnologia se mostra também na seca, quando o feijão ralo não cresce e fica impossível de ser colhido. "O produto resolve o problema."


