Em 2015, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) fez 14 liberações de plantas geneticamente modificadas no País. Sem dúvidas, as plantas transgênicas hoje são base da agricultura nacional – principalmente commodities – com tecnologias basicamente voltadas à resistência de herbicidas, como glifosato, e também inseticidas. No caso do milho, as variedades mais conhecidas possuem uma toxina isolada da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt) contra insetos.
A utilização em larga escala dessas sementes – associada ao uso indiscriminado de agroquímicos – tem causado a resistência de plantas daninhas, insetos predadores e outros tipos de doenças. Numa viagem de duas semanas por propriedades do Mato Grosso, no ano passado, o pesquisador da Embrapa Soja Alexandre Nepomuceno comprovou in loco como essa aplicação de tecnologia sem nenhum tipo de precaução ou manejo consciente pode trazer prejuízos enormes. "Presenciei propriedades sem nenhum problema e outras com ervas daninhas e quebra de resistência. Muito disso está correlacionado com a organização e dedicação do produtor. Aqueles que fomentam o lado mais empresarial, dificilmente terão esse tipo de problema."
Todas essas tecnologias ainda são consideradas novas e os produtores estão aprendendo a lidar com elas. Para o pesquisador, plantas transgênicas resistentes a agroquímicos e outras adversidades não podem ser consideradas "a salvação da lavoura" e sim ferramentas de manejo. "Uma planta tolerante à seca, por exemplo, não pode ser plantada na caatinga. Se for plantada num solo mal manejado e sem seguir princípios agronômicos, é claro que não vai dar certo", salienta Nepomuceno.
Outro ponto que o pesquisador bate na tecla é a comercialização desses pacotes prontos ofertados ao produtor, muitas vezes sem uma análise técnica e de riscos mais aprofundada. "Não adianta vim uma tecnologia de fora do País sem analisar questões específicas de cada ambiente. Por isso, a importância de criar parcerias público-privadas entre essas grandes empresas e institutos de pesquisa. Vale dizer que os produtores conscientes estão tirando grande vantagem dessas tecnologias, com redução de perdas, de custos e ganho de produtividade, sempre utilizando conhecimentos agronômicos."
Para o futuro, Nepomuceno relata que as empresas vão focar em plantas tolerantes a estresses abióticos, pensando nas oscilações climáticas que o mundo tem enfrentado e também na maior absorção de nutrientes pelo solo, diminuindo a necessidade de insumos, dos quais o Brasil é um dos maiores compradores do mundo. "Uma outra tecnologia que está chegando é a modificação das qualidades nutricionais da planta por exemplo, como a soja plenish, com altos teores de ácido oleico, mais saudável para a saúde humana e interessante para a produção de biodiesel", complementa. (V.L.)

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