Jota Oliveira
De Londrina
O engenheiro-agrônomo Garibaldi Batista Medeiros, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), acredita que o plantio convencional de algodão, com preparo de solo, semeadura e capina mecânica ou química, está esgotado porque ‘‘definitivamente não funciona’’. Por isso, ele propõe o Sistema de Plantio Direto (SPD), que ‘‘pode recuperar’’ a cotonicultura no Estado. Não em extensão de área, porém tornando a atividade menos custosa e mais produtiva.
Já comprovado como viável pela pesquisa do Iapar, o plantio direto de algodão pode, ainda, eliminar o nomadismo da cultura do algodoeiro, que migra quando empobrece o solo. As causas são várias. Entre elas destaca-se o plantio convencional, que revolve o solo. No entanto, o pesquisador reconhece que, ‘‘em épocas mais longínquas’’, os produtores que usavam o sistema convencional, garantiram ao Brasil o abastecimento de algodão. Medeiros ressalva que o sistema antigo, independente dos preços históricos, não tinha sustentabilidade, porque não mantinha o potencial produtivo das terras. Gradativamente, reduzia a matéria orgânica e seus benefícios nos aspectos físico, químico e biológicos do solo.
Como decorrência a erosão, que também afetava outras grandes culturas, era mais intensa no algodão, tornando o sistema tradicional ‘‘muito mais vulnerável’’. ‘‘E nunca haverá preço que compense a perda do potencial produtivo do solo’’, salienta o pesquisador.
Mudando o sistemaHá seis anos o Iapar faz experiências com o plantio direto do algodoeiro, e vem obtendo sucesso, afirma Garibaldi Medeiros. Ele trabalha com o que chama de Sistemas de Plantio Direto (SPD), modelo que ‘‘é incompatível com a monocultura e à sucessão de culturas’’, processo que não dá sustentabilidade à produção.
Medeiros culpa o método tradicional pelo empobrecimento ‘‘do solo e do agricultor’’. O novo modelo pode ser adotado por produtores que cultivem de 3 a 5 hectares ou médios e grandes produtores. É um instrumento destinado a agregar valor à produção das grandes culturas predominantes no Paraná, pois elas, como a soja e o milho, ‘‘apresentam redução lenta e gradual de renda’’ e ‘‘assim não podem atender as expectativas dos agricultores’’.
Os dados existentes, acrescenta o pesquisador, permitem o início de um processo de reconversão do sistema. A tecnologia está validada pelo Iapar, não importa a escala de produção. Mas, a estratégia do controle de ervas, seja qual for essa escala ou ambiente, exige uso da aveia como cultura de cobertura e antecessora do algodão. Medeiros afirma que a aveia preta comum não satisfaz. Deve ser usada – recomenda – a aveia preta ‘‘Iapar 61’’, que ‘‘tem melhores características para satisfazer as exigências do algodoeiro’’. Em comparação com soja e milho, o algodão é mais exigente nos aspectos quantitativos e qualitativos da planta de cobertura.
Ainda comparando, Medeiros afirma que o milheto, usado em outras regiões algodoeiras do Brasil, ‘‘não alcança a qualidade da palha da aveia’’. A qualidade da palha é um fator muito importante para viabilização do Sistema de Plantio Direto de qualidade superior. A aveia preta ‘‘Iapar 61’’ tem ciclo de 135 dias e as demais variedades têm ciclo de 100 dias. Por isso, aquela variedade produz mais palha. Além disso, tem sistema radicular profundo, que ajuda na reciclagem e maior aproveitamento de nutrientes (nitrogênio, fósforo, cálcio, magnésio, potássio, enxofre e outros).
Sequências de culturasPlanejando-se o uso das glebas na propriedade, e dependendo da região e categoria social do produtor, pode-se estabelecer sequências de culturas que beneficiam o algodoeiro e são por eles beneficiadas.
Com base nos experimentos feitos pelo Iapar, Medeiros sugere: 1) trigo-soja-aveia preta ‘‘Iapar 61’’- algodão-aveia-soja ou milho-milho safrinha; 2) milho safrinha-milheto ou sorgo forrageiro-soja-aveia preta Iapar 61-algodão-aveia-soja; 3) milho-feijão de outono-aveia preta Iapar 61-algodão-aveia. Segundo o pesquisador, as culturas que antecedem o algodoeiro potencializam a produtividade dessa lavoura, que por sua vez potencializa as culturas seguintes.
O Departamento Técnico da Coagru (Cooperativa Agrícola de Ubiratã) constatou, através do acompanhamento de propriedades, que lavouras de canola, trigo e soja plantadas após o algodão, têm sido beneficiadas. Garibaldi Medeiros observou ainda que na última safra o algodão proporcionou lucro equivalente a 2-3 vezes o lucro da soja. No Paraná, ele afirma, o novo modelo ‘‘muda a forma de análise dos resultados, do ponto de vista agroecológico ou econômico, deslocando o enfoque para o resultado do sistema e não do produto (cultura) isoladamente’’.
Adverte, porém, que esse sistema ‘‘exigirá mais competência gerencial e, consequentemente, mais conhecimento do produtor.’’ Este deve saber, por exemplo, que o algodão gosta de terreno limpo, sem ervas invasoras que concorram com ele. Além disso, terreno limpo facilita a colheita manual. Em dois ou três anos a cobertura vegetal oferecida pela palha da aveia diminuirá cada vez mais a presença de ervas; com isso reduz-se também o gasto com herbicidas e melhora a qualidade do algodão, pois desaparece o ‘‘baixeiro’’,
as maçãs que ficam mais perto do solo e recebem respingo da chuva ou poeira. Enfim, o algodão da primeira apanha sai sujo e com menor qualidade. A palha do plantio direto evita o impacto da chuva ou diminui a possibilidade de sujeira.

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