Tecnologia para os pequenos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de maio de 2006
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Ao revelar que demorou para entender que o leite entra pela boca da vaca, o pequeno agricultor não exibe só a filosofia do matuto, capaz de resumir num causo a lida da roça. Ele ponteia de singeleza a maneira como compreende o cotidiano no campo, enriquecido com novas técnicas de produção.
A Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) atendeu no ano passado 169.548 produtores rurais, sendo 97,7% agricultores familiares, pescadores artesanais e trabalhadores rurais, levando a extensão rural a pequenos produtores, como Valdomiro Dutra, 52 anos, autor da comparação à moda do homem do campo e que dá a dimensão e a importância do trabalho.
Para que Dutra e outros camponeses do sudoeste paranaense, entre as 29 famílias assentadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no assentamento Florestan Fernandes, em Florestópolis (73 quilômetros ao norte de Londrina), não abandonassem a própria cultura, mas aceitassem orientações sobre o uso de novas tecnologias, foi necessário percorrer um longo caminho.
Uma caminhada em direção à absorção de novas técnicas de produção e manejo que está pondo os assentados ao largo do barulho dos grandes produtores rurais, que reclamam da política agrícola do governo.
Os pequenos agricultores também sofrem com a estiagem dos três últimos anos, porém, engrossam a revolução no campo, conseguindo superar em pequenas propriedades a média de produção paranaense.
''Digo sempre que, no caso do produtor de leite, ele é na verdade um produtor de alimento para a vaca'', afirma o engenheiro agrônomo da Emater, Fernando Luís Martins Costa, dando sentido à filosofia de Dutra, que compreendeu ao dizer que o ''leite entra pela boca da vaca'', a importância do manejo do pasto. Desde 1998, a Emater acompanha as famílias do Florestan Fernandes.
Ao decifrar a fórmula de sucesso contida nas orientações do agrônomo, produtores de leite como Dutra conseguiram extrapolar a média de 20 a 30 litros por dia para uma produção superior a 70 litros - se tornando referência para a região.
Além de leite as famílias do assentamento ainda se dedicam à sericicultura, e produção de grãos, soja, milho, feijão e uva.


