Tecnologia para diminuir custos de produção
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sexta-feira, 14 de setembro de 2018
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
O produtor de leite, antes de tudo, precisa ser um gestor do negócio. Com as margens de lucro sempre apertadas - graças às oscilações contantes dos custos de produção e o sobe desce dos valores do produto final - tudo precisa estar na ponta da caneta para as contas fecharem no azul. Em Jataizinho, Jefferson Leandro Peralta atua há dez anos na cadeia e relata que seu grande desafio é equalizar essa matemática. Para ele, a tecnologia não auxilia apenas na melhoria da qualidade do leite, mas também é fundamental para diminuir os custos de manejo.
A família de Jefferson trabalhava com grãos e gado de corte no Mato Grosso. Com o falecimento do pai e a partilha dos bens, a sua propriedade naturalmente ficou menor. A paixão pelos animais fez com que ele migrasse para a cadeia do leite, afinal, numa área de 10,8 alqueires não seria mais possível trabalhar com gado de corte. "Minha rotação média anual dos animais é de 35 a 40 cabeças, com média de 20 vacas em produção. Ano passado, minha média produtiva fechou em 300 litros dia. Este ano deve subir um pouco mais."

Ele comenta que hoje utiliza como parâmetro de boa rentabilidade o ano de 2016, quando fechou com a cooperativa que entrega seu produto com média de R$ 1,50 o litro, o que resultou para ele uma liquidez de 40%. "O maior desafio é manter os custos de produção, que são muito variáveis. Os preços do milho, da soja, que influenciam no trato (concentrado), adubação de pasto, o valor do leite que varia demais. É difícil equalizar tudo isso."
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Após os bons resultados de 2016, Peralta, empolgado, resolveu apostar alto numa nova sala de ordenha. Mudou o barracão, fez um sistema mais moderno para entrada e saída dos animais, instalou uma ordenha canalizada de última geração, toda computadorizada. "A qualidade do leite foi lá em cima, reduzi a zero meu problema de mastite, evoluí na esterilização do leite, sem contar que caiu os custos com medicação e antibióticos."
Tudo isso mostra que o investimento em tecnologia acaba se tornando fundamental também para diminuir os custos de produção, já que os produtores têm dificuldades de negociar um melhor valor com a indústria. "Depois de 2016, os preços estão mais pressionados e os custos mais elevados, uma alta em torno de 26% a 30%. Antes, por exemplo, eu comprava o concentrado pronto das indústrias. Então contratei um zootecnista, fizemos uma análise da minha pastagem e ele formulou para mim uma ração. Meu custo de concentrado caiu bastante e qualidade do leite aumentou, com mais teor de gordura."

Em relação às novas portarias, ele não tem dúvidas de que precisam ser discutidas e é necessário exigir mais qualidade do produtor. Por outro lado, ele espera que toda a cadeia seja cobrada, inclusive do leite que chega em grandes volumes do exterior. "Somos muitas vezes mais fiscalizados do que esse produto que atravessa a fronteira. As normativas de outros países não são tão rigorosas como as nossas. Meu leite sai da propriedade tipo A, pelo investimento que foi feito, mas recebo como tipo C, em função do transporte, como é coletado o produto... A normativa precisa ser para todos, inclusive para quem industrializa. Se acontece alguma coisa, a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco, que é o produtor." (V.L)


