Cláudia Barberato
De Londrina
Nos últimos tempos o produtor, de modo geral, evoluiu muito no plantio de suas culturas. Especialmente no Norte do Paraná, com a adoção do plantio direto e uso de sementes tratadas ou variedades recomendadas, na quantidade preconizada pela pesquisa e assistência técnica, oficial ou privada. Apesar disso, na hora do controle químico, ainda há desperdícios, aplicação malfeita e inadequada, o que aumenta os custos e não é suficiente para combater a praga ou a doença que está instalada na lavoura.
Nova mentalidadeA avaliação é dos técnicos da Emater, da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), durante a Expotécnica 99, em Sabáudia, no Norte do Paraná.
De acordo com o agrônomo Fernando Adegas, da Emater e trabalhando na Embrapa Soja, em Londrina, além de prejuízo econômico a má-aplicação de defensivos implica danos à saúde do homem e ao meio ambiente, uma preocupação nova entre os produtores rurais (os trabalhos neste sentido começaram há pouco mais de cinco anos) que depende ainda de muita mudança de mentalidade no meio rural.
TradiçãoA Expotécnica 99, em Sabáudia, 65 quilômetros a oeste de Londrina, realizou-se nos dias 5 e 6 de agosto e reuniu agricultores do Norte do Paraná, Sul e Oeste do Estado, além de produtores do interior de São Paulo. O evento funcionou na propriedade de Cláudio D’Agostinho, que todo ano, desde 1993, quando houve a primeira exposição, empresta parte de sua área para a demonstração.
Sexta-feira (último dia da exposição) de manhã o coordenador do evento, Fernando Martin, previa que até o final da tarde, 2.500 pessoas visitariam a Expotécnica. Martin garante que o evento já virou uma tradição todo ano no início do mês de agosto, época em que os produtores estão tomando decisão do que plantar na próxima safra e atentos às novidades em máquinas, insumos e equipamentos. ‘‘O objetivo não é venda de produtos, mas isso acaba acontecendo, porém um intercâmbio entre os setores produtivos. Muita gente adotou novas tecnologias ou manejos a partir da Expotécnica e está satisfeita com isso’’, garante Martin.
Na exposição, além de estandes de empresas de equipamentos e insumos, foram montados estandes da extensão e pesquisa como os da Embrapa Soja e Instituto Agronômico do Paraná, com informações sobre produtos transgênicos, avaliação de maquinaria para plantio direto, qualidade do café, tecnologias como cultivo de produtos orgânicos e outros temas.
Na medida certaUm dos destaques da Expotécnica, segundo Martin, foi a ‘‘bateria’’ dos agrônomos da pesquisa sobre o uso adequado de aplicação química nas lavoura. Foi demonstrado o uso de pulverizador no trator e manual (costal).
O uso inadequado de tecnologias para aplicação de defensivos, reforça outro agrônomo da Emater, Nelson Harger, prejudica também a rentabilidade e a produtividade das lavouras. E o erro pode estar desde o tamanho da gota de produto químico que cai no solo ou na planta até ação inadequada para desentupir os bicos do aplicador (por exemplo, o aplicador assopra no bico, ou suga para retirar a sujeira - geralmente veneno - que causou o entupimento).
O problema é que muitos produtores não conhecem a máquina de aplicação. O pulverizador não recebe manutenção adequada e todo o ciclo de erros está completo. No caso da pulverização via costal a velocidade dos passos do aplicador influenciam o trabalho. Tudo tem que ser sincronizado.
‘‘Muitas vezes o agricultor não conhece nem o tipo de bico que tem seu pulverizador ou se há algum com vazão prejudicada ou mesmo um dos bicos entupidos’’, conta Adegas. Ele lembra que os agricultores devem sempre fazer a manutenção de toda a máquina, para regular a dosagem de veneno a ser utilizado, e faz um alerta: ‘‘Quase todo produtor tem mania de usar um arame ou prego para desentupir os bicos e isso não é correto. Ele pode usar uma escova de dentes para fazer este serviço e não estará prejudicando a máquina.’’
A falta de conhecimento dos componentes do pulverizador, segundo Adegas, e a aplicação do produto químico em época inadequada, com vento, temperatura alta, velocidade de aplicação, entre outros itens, são alguns dos principais erros na hora de fazer o controle químico nas lavouras.
O técnico Nelson Harger lembra que é importante o produto químico atingir o alvo - o solo ou as folhas da planta, na quantidade certa. ‘‘É preciso uma quantidade de gotas x na planta ou no solo, isso vai depender da planta e do produto, para garantir uma ação eficiente. O produtor pode regular a máquina que já tem na propriedade. ‘‘Alta tecnologia significa fazer a coisa certa em menor tempo.’’
Uso da águaOutro ponto destacado pelos técnicos é o uso da água que é misturada ao produto químico na hora da aplicação. O uso correto da água melhora a eficiência e pode reduzir os custos de aplicação em até 20%. ‘‘O produtor deve saber que usando pouca água, ganha tempo e economiza. Não precisa parar o serviço a toda hora para buscar água. Além disso, terá maior rendimento por área, com menor quantidade de água’’, afirma Adegas.
No Paraná, de acordo com Adegas se usa uma média de 600 litros de água por alqueire (24.200 metros quadrados), o que é considerado um exagero pelos técnicos. Ele acredita que este volume possa ser reduzido para 200 litros por alqueire. A explicação é simples, acredita Adegas: com menor uso de água há maior concentração do produto e, portanto, maior eficiência. Mas ele acredita que essa redução no uso da água deverá ser gradual.
‘‘Aprender mais’’ Muitas vezes o produtor vai a feiras ou exposições e vê máquinas caras, novos lançamentos. Mas, quando volta para a propriedade, o que encontra é seu antigo pulverizador. Esse é o caso de Vicente Crozatto, de Sabáudia, que observou atento aos conselhos e explicações do técnico da Emater/Embrapa, Fernando Adegas. ‘‘Sempre é hora de aprender mais’’, diz o lavrador.
Crozatto visita a Expotécnica desde 1993, quando foi realizada pela primeira vez. ‘‘Foi aqui que aprendi a reduzir meus custos de produção e a melhorar a produtividade’’, afirma. De lá para cá, conta, adotou o plantio direto na sua propriedade. ‘‘Gastava antes de 5 a 6 sacas de sementes por alqueire no caso da soja e com o plantio direto hoje uso 3,5 a 4 sacas de sementes. No caso do trigo, hoje uso 7 sacas de sementes por alqueire, e antes do plantio direto, usava de 8 a 9 sacas de sementes por alqueire’’.
‘‘Hoje estou aprendendo mais uma novidade’’, afirmou ao ouvir a explicação dos técnicos sobre tecnologia de aplicação de defensivos. Ele conta que na sua propriedade, ao fazer o controle de ervas no capim e não regular direito os bicos dosadores (‘‘uns estavam entupidos’’), parte da área ficou controlada e outra não. ‘‘A falta de limpeza fez com que os bicos não funcionassem direito. Numa determinada faixa eu acabei jogando produto fora, desperdiçando, porque o mato não morreu.’’
Outro produtor atento às explicações, Antônio Elizeu dos Santos, também adotou o plantio direto depois de frequentar a Expotécnica. Hoje cultiva soja e trigo no modelo preconizado pelos técnicos e se diz satisfeito com resultados de produção.Técnicos destacam o manejo correto de aplicação durante a Expotécnica 99, que reuniu 2.500 produtores atentos à recomendação
O agrônomo Adegas demonstra que bicos entupidos ou mal regulados prejudicam eficiência da aplicaçãoUm equipamento que chamou a atenção no evento foi o derriçador manual de café

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