Tecnologia mais perto do produtor
O termo agricultura de precisão se espalhou no Brasil como sinônimo de equipamentos sofisticados, como o GPS, que apresentam alto custo, inacessível a grande maioria dos produtores rurais brasileiros. Mas na região dos Campos Gerais, a Fundação ABC. que desenvolve pesquisa para produtores filiados às cooperativas Arapoti, Batavo e Castrolnada, está elaborando um projeto que expande o significado da agricultura de precisão.
Os investimentos são necessários, porém, com a participação de todos os agricultores associados à Fundação o projeto fica bem longe dos US$ 19 mil que cada agricultor teria que investir para comprar um GPS.
Idéia simplesA Fundação ABC é uma entidade que desenvolve pesquisa e presta assistência técnica a 1200 produtores rurais distribuídos numa área de 200 quilômetros, entre os municípios de Palmeira, Ponta Grossa, Tibagi, Ventania, Arapoti, Carambeí e Castro. No total, esses produtores são responsáveis pelo cultivo de 160 mil hectares na região central do Paraná.
A idéia do projeto é simples: queremos fazer agricultura de precisão fora do talhão, explica o engenheiro agrônomo Marcos Valentini, diretor da Fundação ABC. Para isso, os agrônomos que prestam assistência técnica aos produtores estão fazendo um levantamento de dados dos três mil talhões distribuídos nos 200 quilômetros de abrangência da fundação.
O segundo passo em direção à precisão nos Campos Gerais é a instalação de cinco estações meteorológicas numa área de 300 mil hectares. Essas estações vão possibilitar um monitoramento constante da luminosidade, temperatura e dados pluviométricos.
ParceriasAo mesmo tempo em que essas estações estão sendo instaladas, a fundação aguarda a finalização de um trabalho que está sendo feito em parceria com a Embrapa Solos e Embrapa Florestas.
Por fim, já foi contratado um vôo através do qual serão feitas ortofotocartas da região. Ou seja, fotos que trazem informações sobre a latitude, longitude e altitude das áreas distribuídas pelos 600 mil hectares definidos pela fundação.
Cruzando os dados obtidos nas ortofotocartas com os dados de clima a fundação pretende criar microrregiões. De posse desses dados, o produtor poderá relacionar a produtividade diante do uso da tecnologia. O produtor vai poder acessar o banco de dados e procurar áreas com características semelhantes às suas e terá acesso ao histórico dessa área, podendo verificar quais cultivares apresentaram melhor resultado, conforme as condições climáticas, condições do terreno e tipo de solo, exemplifica Valentini.
Para a Fundação ABC, a importância desses levantamentos está no fato de que eles poderão indicar experimentos certos para cada agricultor, conforme o potencial de suas terras.
O projeto foi apresentado aos produtores rurais no Show Tecnológico de Verão da fundação, realizado nos dias 21 e 22 de fevereiro, na fazenda experimental em Ponta Grossa. Além dessa proposta, os produtores puderam visitar outras 21 estações onde encontraram informações variadas, como novas cultivares, viabilidade econômica da rotação de culturas, novos maquinários e alternativas de combate a pragas.





