Milton DóriaPromoçãoMuniz, Garcia Cid, Mendes e Silva, na divulgação da Expogranja. Expectativa de reunir empresas nacionais e internacionaisO curto ciclo de produção do frango permitiu rápidos avanços tecnológicos e, portanto, reduções nos custos de produção. A integração de indústrias e produtores possibilitou a realização de campanhas de marketing, promovendo a carne de frango. Mas o crescimento da avicultura ainda depende de um eficiente sistema de armazenagem e qualidade do milho, por exemplo, o principal insumo usado não só pela avicultura mas também pela suinocultura.
A afirmação, do presidente da Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar), Paulo Ferreira Muniz, foi feita durante o lançamento da 1ª Expogranja, feira de produtores e industriais avícolas e suinícolas, de 6 a 10 de agosto, no Parque Ney Braga, em Londrina. O lançamento da Expogranja aconteceu durante esta semana, na Sociedade Rural do Paraná, a responsável pelo evento. A mostra terá ainda o apoio da Associação Paranaense de Suinocultores (APS) e Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio (Fecoagro).
Qualidade e expansãoO evento também reunirá os setores de produção e armazenagem de milho, já que o grão é o principal insumo da avicultura e da suinocultura, e fecha o tripé da cadeia produtiva, junto com os dois setores. De acordo com Muniz, os produtores de suínos têm investido em manejo, genética e mão-de-obra, em busca de aumento da produção e da produtividade. Segundo ele, a avicultura ainda depende da boa qualidade de grãos, sobretudo o milho, para viabilizar rações de qualidade e sustentar a produtividade.
Grãos amrazenados sob condições precárias, ou mal conservados, não têm a qualidade necessária à eficiência da atividade, comprometendo sua expansão. Em algumas regiões o clima e a boa produção de grãos são propícios ao crescimento da avicultura brasileira, mas ainda é necessário aumentar a produtividade, usar produtos de safra nova e que tenham sido armazenados com algum cuidado.
Melhorando a criaçãoParcela considerável da produção de milho, farelo de soja e outros cereais também têm na suinocultura uma de suas maiores consumidoras. A suinocultura quer percorrer o mesmo trajeto do frango no rumo do mercado. Um obstáculo a vencer diz respeito à mudança da própria imagem do animal e dos padrões de sua criação. De acordo com o presidente da APS, Virgílio Mendes, o produtor tem investido e trabalhado para produzir melhor na propriedade, sobretudo aquele que não está integrado às grandes indústrias. É o caso dos produtores do Norte do Paraná, por exemplo.
A região, segundo o presidente da Associação dos Produtores do Norte do Paraná (Assuinopar), José Luiz Vicente da Silva, soma 3 mil produtores, tem condição bem diferente do que acontece no Oeste do Estado, onde estão as grandes integrações com empresas do setor.
No Norte do Paraná o suinocultor é independente e, por esta condição, tem que correr atrás de tecnologias de aumento de produção, como genética e nutrição. E ainda esbarra em conceitos como dar aos animais o milho de qualidade inferior.
De acordo com Mendes, da APS, apenas o setor suinícola representa 20% da arrecadação de ICMS do Estado. O Paraná tem ainda com o segundo maior rebanho do Brasil, com 3.927.134 cabeças, de acordo com dados da FNP Consultoria e Comércio, de São Paulo, e IBGE. De frango, o Estado é o terceiro na produção de pintos de corte, com 220 milhões de cabeças alojadas. Os pintos são abatidos entre o 37º e o 45º dia de vida. Antes estão os Estados de São Paulo e Santa Catarina. A diferença, segundo Muniz, não chega a 3%.
AvançosO objetivo desta mostra, ressaltou Muniz, é criar oportunidade para os produtores, especialmente os pequenos, de participarem de encontros técnicos e mostras industriais, tomando conhecimento dos avanços no setor industrial de sua atividade, antes concentrada apenas em grandes centros e muito distantes. A programação técnica e de expositores pretende unir empresas nacionais e internacionais. Haverá também uma programação grastronômica para estimular o consumo dos produtos.
Na parte técnica um das expectativas de produtores de suínos e aves, segundo Mendes e Muniz, será a discussão da qualidade do milho que é destinado à alimentação dos animais. ‘‘É preciso que os produtores de milho saibam de nossas dificuldades,’’ afirmou Muniz.
Reduzindo perdasSabe-se que o Paraná é o principal produtor do grão no País. Mas não é segredo as perdas que acontecem por transporte e armazenagem. De acordo com dados do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, a quantidade do grão perdido em toneladas representa um valor de R$ 560 milhões, considerando um preço mínimo de R$ 6,70 a saca. Os dados mostram ainda que as perdas mais significativas por Estado, no armazenamento em paiol, estão em Santa Catarina, com 56%; Rio Grande do Sul, com 54%; Minas Gerais, com 53% e Paraná, com 38%. O Paraná perde 310.464 toneladas na colheita mecânica e 47.628 na manual. No transporte a perda chega a 35.280 toneladas. Na armazenagem a granel perdem-se 35.672 toneladas e no paiol perdem-se 42.360 toneladas, num total de 1.183.644 toneladas ou um percentual de perdas de 16,78% da produção.
Boa participaçãoO presidente da Sociedade Rural do Paraná, Manoel Campinha Garcia Cid, acredita no sucesso da Expogranja e na participação de empresas de todo o Mercosul. Segundo ele, a entidade pretende manter a feira no seu calendário anual de atividades. O investimento para este ano será de R$ 150 mil, dos quais a Sociedade Rural participará com 50%. Ainda não se fala na expectativa de comercialização (deverão participar também empresas de genética animal, equipamento agrícola e outras).
Garcia Cid afirmou ainda, durante o lançamento da Expogranja, que o momento da exposição é oportuno já que as atividades como avicultura e suinocultura ‘‘estão em crescimento emergente’’ e podem representar alternativas rentáveis para o pequeno produtor. No Paraná, segundo ele, existem cerca de 450 mil propriedades agrícolas. Delas, mais de 80% têm áreas com menos de 20 hectares, ‘‘com vocação’’ para criação de aves e suínos, e para aumenta a oferta de empregos na agroindústria. Para cada empregado numa granja são gerados 600 novos empregos em toda a cadeia produtiva.

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