Tecnologia existe. Falta competir
Jota Oliveira
O ministro da Agricultura e do Abastecimento, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, anunciou quarta-feira passada o plano de apoio governamental à comercialização da safra 99/2000. Os instrumentos da política agrícola servirão de estímulo para que os produtores financiarem cerca de 12 milhões de toneladas de grãos, incluindo arroz, milho, feijão, trigo e algodão. Espera-se, mas a comercialização de algumas mercadorias começou antes.
Segundo o Ministério da Agricultura divulgou, entre os instrumentos da política agrícola estão as Aquisições do Governo Federal (AGFs), Empréstimos do Governo Federal (EGFs), Prêmio de Escoamento do Produto (PEP) e Contratos de Opção. Acrescenta que neste ano o Banco do Brasil e a Bolsa de Mercados e Futuros também deverão usar a Cédula de Produto Rural (CPR) com liquidação financeira na comercialização da safra.
A Assessoria de Comunicação do Ministério observa que o objetivo do plano é garantir renda ao setor agrícola, evitando queda dos preços pagos ao produtor. Neste momento da colheita, a tendência é que haja redução de preços, o que desestimularia os agricultores, disse o Ministro, citado por sua assessoria. Pratini acrescentou que a intenção do Governo também é recompor os estoques oficiais, principalmente de milho, impedindo assim uma alta nos preços dos produtos no período da entressafra.
Falta o dinheiro chegar ao campo, ao sistema de produção. Com preço garantido, o lavrador poderá planejar seus próximos plantios conforme as tendências de mercado, os insumos e tecnologias disponíveis. Tendências de mercado ele acompanha na sua cooperativa, recebe informações de sua assistência técnica particular, do Banco do Brasil (através das salas de agronegócios), dos sindicatos, dos veículos de comunicação especializados, enfim graças a suas próprias observações e experiências.
Os insumos as empresas fabricantes se encarregam de divulgar, para os diversos fins da enxada ao herbicida, o fertilizante, o defensivo, o implemento, a máquina. Para usar tudo isso, ele recorre à assistência técnica, que por sua vez vai buscar suas informações tecnológicas principalmente nos órgãos privados e oficiais de pesquisa.
Ele vê muitas dessas coisas em dias-de-campo, feiras, exposições, mas é numa mostra ampla e dinâmica que pode melhor avaliar a importância de cada item, começando por selecionar (após decidir o que plantar) as melhores sementes que vai usar. Aí é que de fato começa a produção rentável: na semente. E tanto faz semente de capim ou de soja. Para se dar bem, o agropecuarista precisa ser exigente, escolher o melhor. Mas, ainda tem muita gente que guarda no paiol o grão que usará na próxima safra como semente. Muitas vezes carunchada, de baixo poder germinativo, essa semente dará safra ruim ou pequena.
Para uma safra boa, uma carne boa, um leite bom, é preciso começar do melhor, mas cadê dinheiro para ter a melhor semente, o gado selecionado ou cruzado conforme sua finalidade (carne ou leite; carne ou ovos)? É apenas isso que os produtores querem: garantia de preço e de mercado para sua produção. Que a soja importada não chegue aqui quando a soja brasileira está sendo colhida e comercializada; o mesmo em relação ao algodão, o milho (deve-se, reivindicam os produtores, permitir a entrada de milho argentino, por exemplo, somente depois que a safra brasileira estiver comprada pelos consumidores internos. O mesmo querem os produtores de trigo, que ainda pagam os erros de política de abastecimento cometidos contra as safras nacionais em queda).
O produtor brasileiro somente o direito de produzir de modo competitivo, como podem fazer os lavradores norte-americanos ou argentinos, entre outros. Saber produzir, eles sabem e se não sabem podem buscar informações, a custo zero, nos centros de pesquisa, na Emater, nas cooperativas ou, para ter acesso a tudo isso de uma vez, em uma exposição tipo Show Rural 2000, que terminou semana passada em Cascavel, no Oeste do Paraná.
O autor é editor da Folha Rural.





