O Brasil é um dos poucos países do mundo que dispõem de um sistema operacional de monitoramento das queimadas. Há 11 anos a Embrapa Monitoramento por Satélite (www.cnpm.embrapa.br) faz o monitoramento orbital das queimadas em todo o País, com base na aquisição de dados do satélite NOAA/AVHRR.
Os programas computadorizados de tratamento das imagens orbitais garantem a detecção dos pontos de calor e sua localização geográfica. Dezenas de mapas de localização dos fogos são gerados semanalmente, no período de junho a novembro. Os dados do monitoramento são disponibilizados na Internet, sob a forma de mapas semanais, mensais e anuais.
O uso de satélites pelo Brasil não é coisa nova. Há anos o País faz sondagem de suas intimidades, e tem revelado jazidas minerais, o comportamento das safras, tipos de solo, clima, área plantada, área destruída por alguma intempérie; amadurecimento e momentos de aplicar insumos e da colheita das safras... Até um rio com mais de 400 km de extensão foi revelado, correndo sob a floresta amazônica, de modo que não era visto do ar. O satélite mostrou.
Os satélites fazem o acompanhamento do lançamento de foguetes e dos satélites brasileiros. Além disso, usa o GPS para monitoramento à distância de veículos terrestres, o que serve para localizar veículos roubados; movimentar máquinas e equipamentos agrícolas e até para definir as divisas de propriedades no Brasil, e as fronteiras com outros países.
Atualmente, os satélites são insubstituíveis como observadores das condições meteorológicas que podem indicar o comportamento do tempo e do clima; os momentos de plantar e de colher.
O sensoriamento remoto não pode mais ser dispensado como instrumento da rede transmissora e receptora de sons (telefone) e imagens (televisão). Enfim, é o instrumento completo, que manda até sua casa os frutos da moderna tecnologia.
Existem diferenças entre os termos queimadas e focos de incêndio. Os sensores instalados nos satélites é que mostram isso. A queimada ‘‘é uma antiga prática agropastoril ou florestal que utiliza o fogo de forma controlada, para viabilizar a agricultura ou renovar as pastagens’’, diz o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Instituto lembra que a queimada, se for necessária, ‘‘deve ser feita sob determinadas condições ambientais, de modo que o fogo se mantenha confinado à área que será utilizada para a agricultura ou pecuária’’. Além disso, ressalva que a queima deve ser autorizada pelo Ibama.
Já o incêndio, ‘‘é o fogo sem controle que incide sobre qualquer forma de vegetação, podendo tanto ser provocado pelo homem quanto por uma causa natural como os raios, por exemplo, explica o Inpe.
Fala-se também em focos de calor. Esta expressão não significa que ali naquela área tem uma queimada ou um incêndio florestal. Esta expressão é usada ‘‘para interpretar o registro de calor captado na superfície do solo pelo sensor AVHRR, que viaja a bordo dos satélites da série NOOA. Esse sensor capta e registra qualquer temperatura acima de 47 graus e a interpreta como sendo um foco de calor. Um foco de calor, porém, não é necessariamente um foco de fogo ou incêndio.’’

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