Tecnologia é questão de sobrevivência
Apesar da baixa adesão até o momento, a mecanização da colheita de café é uma forte tendência na cadeia produtiva. Diante de uma mão de obra cada vez mais escassa e cara, o uso de maquinário agrícola é a solução para que os cafeicultores mantenham a cultura e ampliem a área produtiva. ''A mecanização é uma questão de sobrevivência para a cafeicultura'', afirma o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Cezar Francisco Araujo Junior.
Uma pesquisa realizada pelo Iapar aponta que o principal empecilho para o aumento da mecanização é cultural, pois falta difusão da tecnologia aos produtores paranaenses. Segundo o pesquisador, o estudo apontou que a declividade do solo não impede a expansão do uso de maquinário, pois em apenas 11% do território indicado para o plantio de café no Norte e Noroeste do Estado não é recomendada a mecanização em função do declive superior a 20%. Nos 89% restantes da área, a colheita pode ser feita com maquinário.
Em relação ao custo de aquisição dos maquinários, Araujo Junior afirma que a tecnologia já está disponível para pequenos, médios e grandes produtores, com equipamentos que variam de R$ 1,2 mil a derriçadeira - que aumenta em sete vezes a capacidade de retirada do fruto do pé em comparação ao trabalho manual - até colhedoras automotrizes que custam R$ 550 mil. ''O investimento no maquinário é compensado ao longo dos anos, porque reduz o custo com mão de obra, que é responsável por 50% do custo total de produção'', argumenta. Estima-se que a colheita mecanizada ocorra em 5% dos cafezais paranaenses, mas a meta do Iapar é de que o índice chegue a 50%.
O coordenador do setor de café do Deral, Paulo Franzini, argumenta que a mecanização cresce a cada ano nos cafezais do Estado. ''A tendência é de que o uso de mecanização aumente, porque os agricultores interessados em permanecer na atividade precisam investir em qualidade e produtividade'', avalia. A falta de mão de obra de qualidade para realizar a colheita é um dos principais desafios enfrentados pelos produtores.
O município de Carlópolis, no Norte Pioneiro, é referência em tecnificação da produção de café. Há mais de 20 anos, os cafeicultores passam por capacitações que resultaram em alta produtividade e elevado índice de mecanização. Na cidade, cerca de 800 agricultores são responsáveis por 6,5 mil hectares cultivados com café. Segundo o engenheiro agrônomo do Instituto Emater, Otávio Oliveira da Luz, atualmente 12 colheitadeiras fazem o trabalho na cidade, mas pequenos produtores já se reúnem para a aquisição em grupo de mais máquinas. ''A mecanização é a salvação diante da falta de mão de obra. O investimento é uma necessidade, que agiliza e barateia o processo, mas para isso é preciso que a lavoura esteja padronizada, com variedades e espaçamentos adequados ao uso de maquinário'', explica.(M.F.)






