“Hoje nosso vinho é todo vendido na RMC", revela Renato Adur
“Hoje nosso vinho é todo vendido na RMC", revela Renato Adur | Foto: Divulgação

A RMC (Região Metropolitana de Curitiba) tem em suas raízes a força dos imigrantes que chegaram na segunda metade do século 19: italianos, ucranianos, alemães, poloneses, entre outros. A tradição dos parreirais veio junto com muitos deles, mas sempre foi desafiador produzir as variedades europeias de uvas e, na década de 1970, houve um declínio muito grande da produção devido a pragas e doenças.

O desafio continua enorme, mas agora com tecnologia de ponta, inclusive devido a mudas mais resistentes vindas da Europa, e microclima propício para as viníferas em algumas regiões do Estado (Centro-Sul), vinícolas com foco em vinhos finos estão em plena expansão e incluídas no planejamento estratégico da Secretaria de Agricultura.

A Vinopar (Associação de Viticultores do Paraná) foi fundada há dois anos e conta com a participação de sete vinícolas situadas na RMC: Araucária, Cave Colinas de Pedra, Familia Fardo, Famiglia Zanlorenzi, Franco Italiano, Legado e Vinhos Santa Felicidade. Além da produção de diversos rótulos, elas vão além: levar uma experiência completa aos turistas, o chamado enoturismo.

Renato Adur é sócio proprietário da vinícola Araucária, localizada na zona rural de São José dos Pinhais. A propriedade está situada a cerca de 980 metros de altitude, possui clima temperado úmido e solo argilocalcário. As primeiras variedades europeias foram plantadas numa área de 3,5 hectares no final de 2006. Os primeiros vinhos e espumantes foram produzidos em 2009 e a comercialização deles iniciou em 2014.

Hoje a vinícola é ponto turístico fantástico para quem conhecer de perto o trabalho de produção de vinhos finos. São 8,5 hectares dedicados a vinificação, com foco nas uvas cabernet sauvignon, cabernet frank, merlot, chardonnay, viognier e pinot noir. No total, são nove rótulos de vinhos finos – sete medalhas de ouro e uma de prata em avaliações nacionais – e um total de 35 mil a 40 mil garrafas produzidas anualmente. “Hoje nosso vinho é todo vendido na RMC. A vinícola ainda está em formação e temos um projeto de enoturismo: o turista conhece o vinhedo, vinícola, as trilhas de caminhada, todo o processo de elaboração, as barricas de carvalho e ainda faz a degustação dos vinhos. Tudo isso por R$ 35 e ainda com um transfer de Curitiba para cá.”

No manejo, Adur cita que o maior desafio está relacionado ao excesso de umidade, o que acaba atraindo mais pragas e doenças. “A vinícola Araucária foi a primeira a adquirir variedades mais resistentes a pragas que surgiram na Europa há cerca de três anos. No próximo ano, teremos a primeira colheita delas. São variedades que requerem tecnologia e muita atenção.”

Por fim, para o produtor, o projeto da Seab, em parceria com a Vinopar, é muito louvável. “O interessante é que o foco é em pequenos produtores. Nós sabemos hoje que um hectare dá mais rentabilidade que quatro hectares de soja.”

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