Tecnologia do Brasil para África
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sexta-feira, 28 de março de 1997
Cristina Côrtes 
DemonstraçãoÁrea demonstrativa de arroz instalada em Moçambique na época do projetoA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) assina acordo de cooperação com a Sasakawa Africa Association, para desenvolver programas-piloto de transferência de tecnologia e treinamento para Moçambique, na África. A Sasakawa é uma organização não-governamental, presidida pelo cientista Normam Borlaug, Prêmio Nobel da Paz de 1970.
O cientista disse que o Brasil e as tecnologias agropecuárias desenvolvidas pela Embrapa, podem dar uma grande contribuição para evitar que todo o continente africano se torne, num futuro próximo, uma grande Ruanda e Burundi. A população africana tem crescido a uma taxa de 23% ao ano, enquanto a produção agrícola aumenta apenas 2% ao ano.
O maior interesse está no milho de alta qualidade protéica desenvolvido pelo Centro Nacional de Pesquisa de Milho de Sorgo, da Embrapa. Já foram desenvolvidas cultivares adaptadas aos trópicos, como o milho BR 451 - branco, o BR 473, e agora está lançando um milho híbrido comercial de alta produtividade, o BR 2121, com estas características.
Qualidade do milhoEsses milhos têm grãos com teores médios de lisina e triptofano, dois aminoácidos essenciais à alimentação, 50% superiores aos do milho comum. Eles suprem parte das proteínas que são absorvidas da carne e do leite pelo homem e outros animais monogástricos como suínos, aves, peixes e equinos.
Arquivo pessoal de Luis GanassimDia da formatura da primeira turma de extensionistas em Moçambique
Boulaug conheceu o projeto-piloto da Embrapa-Milho e Sorgo para utilização do milho de alta qualidade na merenda escolar. Programas de difusão dessa tecnologia também já foram iniciados nas comunidades indígenas e nos assentamentos de reforma agrária.
O presidente da Embrapa, Alberto Duque Portugal, informou que pesquisadores da empresa já estiveram em Moçambique, e que extensionistas daquele país estão sendo treinados no CNPMilho e Sorgo, em Sete Lagoas, MG.
PrecursorProvalmente, estes extensionistas que estão no Brasil são os que foram treinados pelo primeiro projeto de intercâmbio realizado pelo engenheiro agrônomo Luis Ganassin, da Emater de Londrina.
Em 1983, Luis Ganassim foi convidado pelo Governo de Moçambique para montar um programa de extensão rural naquele país. Aprovado pela ONU e FAO, o projeto foi implantado em 89 e 90.
Luis Ganassin ficou dois anos em Moçambique. O primeiro ano foi para treinamento da metodologia de extensão, e o segundo envolveu trabalhos técnicos, com o início de cultivos de arroz, milho, feijão, mandioca, sorgo, algodão e alguma coisa de fruticultura.
O projeto foi desenvolvido em três províncias (equivalente a nossa divisão por Estado) das 10 províncias existentes no país. Na época treinaram 96 extensionistas, 32 em cada província.
Até hoje o extensionista, que trabalha atualmente no escritório regional da Emater em Londrina, mantém contato e recebe informações do trabalho em Moçambique. Atualmente, oito províncias trabalham com o projeto. Os solos são muito bons e o clima é bastante parecido com o nosso. Não foi difícil alcançar boas produtividades como 6 mil quilos/ha de milho ou 5 mil quilos/ha de arroz, lembra Ganassin.
Ele conta que, quando lá chegou, as técnicas de cultivo eram bastante primitivas. Plantavam variados tipos de cultura, em pequenas áreas, mas em pouco tempo aprenderam as novas tecnologias, lembra.
Ganassin informou que lá a terra não é comercializada. O Governo doa ao interessado, de acordo com o número de membros da família. Por um período de 20 anos a família pode explorar a área e comercializar ou trocar sua produção. O solo de lá é muito bom, e o custo de produção é baixíssimo, tudo é muito plano e não tem problema de erosão, acrescenta.


