Criar uma tecnologia demora anos de pesquisas e muito dinheiro. Por isso, as indústrias têm se precavido com relação à manutenção da transgenia. Cesar Barros, gerente de marketing da Monsanto, aponta que a empresa tem trabalhado na piramidação das proteínas, utilizando várias proteínas em uma só planta com o objetivo de eliminar tanto as pragas suscetíveis quanto as resistentes a uma determinada proteína.
Barros destaca que além desse cuidado, a empresa tem divulgado a importância de adotar as boas práticas de produção, a exemplo do refúgio, rotação de cultura, monitoramento da área, entre outras técnicas. Para fomentar o refúgio, o gerente de marketing avisa que a Monsanto oferece 30% de desconto no valor de sementes convencionais.
Ele acrescenta que além do refúgio, existem outras técnicas que corroboram para a manutenção da tecnologia Bt. A primeira delas é a realização da dessecação antecipada para eliminação das pragas em solo. A segunda, em caso de alta pressão de pragas, é a adoção do tratamento de sementes.
Barros acrescenta que outra técnica simples é o monitoramento da lavoura. Segundo ele, muitos agricultores não visitam mais a propriedade para verificar se há ou não um alto índice de infestação de lagartas. O gerente destaca que em lavouras com mais de 20% de plantas com danos causados por lagartas, o produtor deve entrar com inseticida.

Caso Aprosoja
Em relação à notificação extraoficial da Aprosoja sobre o mal funcionamento da tecnologia, a Monsanto do Brasil encaminhou um comunicado à FOLHA dizendo que cada tecnologia Bt proporciona níveis específicos de controle de diferentes pragas e são posicionadas de acordo com as características dos genes, ou combinação deles, presentes nos produtos. A nota diz ainda que a preservação e a sustentabilidade das tecnologias Bt demandam o cumprimento das recomendações de Manejo Integrado de Pragas (MIP) e do Manejo de Resistência de Insetos, que contemplam o plantio das áreas de refúgio.
Também por meio de nota, a Dow AgroSciences disse que já encaminhou a resposta à Aprosoja dentro do prazo previsto e que a companhia continua participando das discussões sobre o tema. A Dow esclarece que desde o lançamento de sua tecnologia Bt no Brasil, em 2009, a empresa conta com uma equipe de suporte que monitora suas tecnologias no campo. Ainda segundo a nota, a companhia também orienta os produtores quanto à necessidade de adoção de boas práticas de manejo, conforme recomenda a assistência técnica.
A Dow frisa que outros fatores como as condições climáticas, irrigação e manejo podem afetar a eficácia da tecnologia Bt no controle de pragas-alvo. A nota completa que desde a sua introdução no mercado, a tecnologia Bt tem contribuído para aumentos expressivos nos níveis de produtividade alcançados pelos produtores de milho do Brasil.
A FOLHA procurou a Dupont e a Syngenta para comentar a notificação da Aprosoja, mas não recebeu resposta até o fechamento da edição. (R.M.)

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