Tecnologia cubana de clonagem
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segunda-feira, 28 de dezembro de 1998
Da Redação 
A Universidade Norte do Paraná (Unopar, sediada em Londrina) está trazendo para o Estado uma das mais avançadas tecnologias de multiplicação de plantas em laboratório, a clonagem. A técnica que a Unopar utilizará foi desenvolvida em Cuba, e chega ao Paraná graças a um convênio firmado recentemente pelo reitor Marco Antônio Laffranchi e pelo vice-ministro da Educação Superior de Cuba, Eduardo Cruz.
A biofábrica, onde serão desenvolvidos os projetos relacionados à multiplicação de plantas, deve começar a funcionar dentro de 60 dias, informa o reitor. A previsão, segundo ele, é que a biofábrica produzirá semanalmente 25 mil mudas de café - a primeira cultura a ser desenvolvida. Ela está sendo construída na Fazenda Experimental da Unopar, em Tamarana. O projeto visa principalmente as espécies de cultivo. Reproduzindo araucária, a Universidade Federal do Paraná iniciou, há alguns anos, clonagem de plantas.
QualidadeÀ frente do trabalho em Tamarana está o professor Héctor Vento Díaz, da Universidade Agrária de Havana, Cuba, que assessora a Unopar na implantação da biofábrica. O principal objetivo desse projeto é o melhoramento genético das espécies, o saneamento de patogeneses (enfermidades das plantas, ocasionadas por microorganismos) e o aumento da produtividade em quase 40%, entre outros benefícios, explica Díaz.
Outro fator importante do cultivo de plantas in vitro são os hormônios colacados durante o processo de multiplicação (clonagem), resultando no rejuvenescimento das espécies e na maior produtividade das plantas. Porém, ele lembra que o processo de clonagem tem que ser muito cuidadoso e dirigido, para não haver perda de qualidade das espécies. Algumas espécies podem se multiplicar indefinidamente, sem que haja perda de variações genéticas, como flores e plantas. Mas nas espécies de cultivo é necessário controle, para não causar uma degeneração dos caracteres positivos, alerta.
O pesquisador explica que essa tecnologia vem sendo explorada nas áreas agrícolas, em Cuba, desde 1985, e atualmente difundiu-se, principalmente, para o cultivo de cana-de-açúcar, banana, batata, abacaxi, laranja, espécies de flores e plantas ornamentais. Nossa tecnologia alcançou todo o território cubano e hoje está sendo transmitida para o Estado do Paraná, através da Unopar, salienta o professor.
Uma equipe de estagiários de Engenharia de Alimentos já está dando início ao projeto, e futuramente será incorporado o curso de Farmácia e Bioquímica. Os estagiários estão identificando os microorganismos encontrados no meio ambiente e os que contaminam as plantas das espécies de cultivo. Nessa primeira fase os alunos vão preparar os meios de cultivo, desinfectar o vegetal e trabalhar com desinfetantes; fazer experimentos através de provas de contaminação ambiental, além de seleção, manipulação e cultivo das gemas. Durante esta fase os estagiários poderão identificar os microorganismos ambientais e contaminantes, através dos testes de antibiótico. O próximo passo será o controle ambiental e dos exemplares, informa Héctor Vento Díaz.
LaboratórioO método de clonagem das plantas é simples, garante o professor cubano. Ele explica que de uma planta selecionada se pega uma gema e a coloca num meio de cultura. Dela sairão novas mudas com a mesma fórmula genética da planta-matriz. Durante um ano uma gema pode conceder 40 mil mudas, mas o ideal é que a matriz gere até duas mil mudas, para que não ocorra a degeneração dos caracteres positivos, ressalva o professor.


