Tecnologia contra mosca-das-frutas pode ser solução para regras da UE
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de agosto de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha 


A partir do dia 1º de setembro, a UE (União Europeia) vai aplicar novas regras fitossanitárias no monitoramento da mosca-das-frutas para a importação de produtos de outros países. Com isso, o Brasil terá que ficar ainda mais atento a essa praga, que tem atrapalhado demais os fruticultores de todo o País, inclusive no Paraná, onde até o café sofreu com o problema.
Um trabalho em controle biológico feito pela Embrapa Clima Temperado, em Pelotas (RS), tem tudo para melhorar demais a supressão da praga, usando parasitoides nativos. “O controle biológico tem ganhado espaço entre as frutas, mas são poucas, talvez a mais emblemática seja os citrus. Agora, estamos tentando desenvolver um programa de controle biológico com parasitoides nativos, diferentemente de outros programas que tentaram importar inimigos naturais e não deu certo”, explica o pesquisador entomologista da Embrapa, Dori Edson Nava.
No caso da mosca-das-frutas, pequenas vespas da família Braconidae depositam seus ovos nas larvas da mosca eliminando o hospedeiro neste processo. “Estamos bem evoluídos, já realizamos a maior parte dos trabalhos de laboratório com desenvolvimento de técnicas e multiplicação tanto do hospedeiro como do parasitoide de forma massal. Estamos levando isso para o campo e os dados mostram que o controle biológico é efetivo.”
A ideia, segundo Nava, é trabalhar com a supressão da praga, e não a eliminação, realizando aplicações anuais. “Essa vespa tem mais de 30 hospedeiros, 30 moscas que podem ser parasitadas, que ocorre do norte ao sul do Brasil. É a opção adequada para empresas produzirem de forma comercial, pensando desde frutas para exportação até o quintal de casa.”
Entre os entraves está o desenvolvimento de programas mais amplos de controle biológico, já que não é possível atuar apenas dentro da propriedade. Portanto é preciso que associações e entidades públicas e privadas estejam envolvidas. “Outro ponto é que hoje não conseguimos ainda oferecer o parasitoide com o preço menor que o defensivo químico”, complementa.
Na interação entre organismos vivos e plantas, muitas vezes, são liberados compostos químicos voláteis em grande quantidade, objeto de estudo da ecologia química, um ramo da ciência pesquisado pelo professor Ted Turlings, da Universidade de Neuchatel, na Suíça, que participou do Simpósio de Controle Biológico (Siconbiol), realizado em Londrina.
Ciente desses mecanismos de interação, o professor está desenvolvendo sensores acoplados em robôs móveis capazes de identificar a campo sinais (substâncias voláteis) sinais emitidos pela planta que possam ser usadas na detecção das pragas no campo. Turlings explica que quando a planta é atacada por uma praga, ela emite odores que atraem os inimigos naturais, seja embaixo do solo ou na parte aérea da planta. “Ao ser atacada na raiz, a planta emite substâncias voláteis que atraem os inimigos naturais. No caso, desenvolvo pesquisas com nematoides 'do bem' que parasitam e matam uma larva de besourinho que ataca as raízes de milho”, explica o professor.
O objetivo de Turlings é utilizar a ecologia química para ampliar o nível de especificidade no campo para que, no futuro, o produtor consiga mapear a área e aplicar inseticidas somente em talhões que estejam com problemas, evitando uma pulverização em toda a lavoura. Outro linha de estudo de professor é explorar esses sinais químicos para melhorar a comunicação entre as plantas. “Sabemos que uma planta, quando atacada, avisa suas vizinhas para que coloquem seu arsenal de defesa em ação”, diz. “Essas plantas que recebem esses sinais ficam mais protegidas e têm sua defesa ampliada”, diz.
Em suas pesquisas, o professor está identificando os compostos voláteis em laboratório, assim como, intensificando as pesquisas para a liberação desses compostos em culturas agrícolas com o objetivo de aumentar a defesa e, por consequência, a resistência da plantas ao ataque das pragas. (Reportagem Local)


