Tecnologia contra desperdícios
Colhedoras mal reguladas ou operadas inadequadamente, e manejo deficiente das lavouras. Essas são algumas das principais causas do desperdício na colheita de soja, problema que proporciona anualmente ao País prejuízo superior a R$320 milhões. Este valor daria para comprar cerca de 3,8 milhões de cestas básicas. Estudos realizados pela Embrapa Soja e pela Emater mostram que na última safra o Brasil perdeu 1,7 saca por hectare. Isto é, ficaram nos solos brasileiros mais de um milhão de toneladas de soja.
Preocupados com essa realidade, pesquisadores e técnicos da Embrapa Soja alertam os produtores para o uso de tecnologias que podem reduzir significativamente esses índices. Segundo os pesquisadores, o primeiro passo é colher, sempre que possível, na hora certa. A colheita deve ser iniciada assim que a soja atingir o estágio de maturação de campo. Isto reduz perdas por debulha e também na qualidade do produto. Para iniciar a colheita, as máquinas devem estar preparadas e revisadas. O monitoramento da colheita é imprescindível. O produtor precisa saber se as perdas estão acima do padrão, para poder reduzi-las, explica o pesquisador Nilton da Costa.
A recomendação da pesquisa é que as perdas sejam medidas várias vezes ao dia, durante a colheita. Para isso, o produtor tem o auxílio de insturmento que permite quantificar o desperdício de forma precisa, prática e fácil. Trata-se do copo medidor de perdas - tecnologia desenvolvida pela Embrapa Soja, que o produtor deve ter em mãos. Também é necessária uma armação de dois metros quadrados, feita com barbante e ripas de madeira, sendo uma das medidas igual à largura da plataforma de corte.
O pesquisador Cézar de Mello Mesquita, da Embrapa Soja, explica que após a passagem da colhedora o produtor deve colocar a armação no solo. Os grãos que ficarem no solo, dentro da armação, serão coletados e colocados no copo medidor. O volume de perdas é indicado na escala impressa no copo. A perda superior a uma saca por hectare é considerada excessiva, alerta Mesquita. Nesse caso é necessário identificar o problema e corrigí-lo. Para isso foi elaborado o Manual do Produtor, que acompanha o copo medidor e indica as recomendações da pesquisa para reduzir as perdas na colheita, com informações detalhadas sobre a regulagem da colhedora.
CuidadosSegundo os pesquisadores, cerca de 80% das perdas ocorrem por ação dos mecanismos da plataforma de corte das colhedoras (molinete, barra de corte e caracol). O restante do desperdício é ocasionado pelos mecanismos internos (trilha, separação e limpeza). Por isso, são fundamentais alguns cuidados com a colhedora, como, por exemplo, a troca de navalhas quebradas e o ajuste das folgas da barra de corte.
A velocidade de trabalho da colhedora também é uma importante causa de perdas. A recomendação é de que não ultrapasse 5 km por hora, nas colhedoras mais antigas e 6 km/h nas mais novas. A velocidade do molinete deve ser um pouco superior à da colhedora. Outros cuidados, como limpeza do bandejão e da grelha do côncavo, ajuste da abertura das peneiras e da velocidade do ventilador, devem ser observados pelos produtores.
Outro levantamento feito pela Embrapa Soja mostra que, na última safra de soja, o Brasil perdeu cerca de 8% da produção devido à quebra ou trituração dos grãos na hora da colheita. Os pesquisadores alertam que esse problema é fácil de resolver. Basta regular corretamente a velocidade do cilindro, a abertura do côncavo e colher a soja quando os grãos tiverem teor de umidade próximo de 13%.
CampanhaO desperdício na colheita de soja não é um problema recente. Há 18 anos a Embrapa Soja, em conjunto com a Emater, vem desenvolvendo trabalhos, como geração e transferência de tecnologia, que mudem a situação. É possível reduzir as perdas a índices mínimos, garantem os pesquisadores. Eles exemplificam com índices alcançados por produtores paranaenses na safra passada, quando sojicultores chegaram a reduzir as perdas a 0,17 saca por hectare. Apesar dos esforços da pesquisa, os números das perdas no Brasil são altos. Evitar o desperdício é fácil, traz maior rentabilidade para o produtor e mais divisas para o País, afirmam.
Para a safra 1997/98 a Embrapa Soja está lançando, em conjunto com a Embrapa Milho e Sorgo e Embrapa Arroz e Feijão, um novo copo medidor, projetado para medir perdas na colheita da soja, do milho e do arroz. Também será lançado o novo Manual do Produtor, que acompanha o copo medidor. O manual indica os principais procedimentos, desde a instalação da lavoura até a regulagem da colhedora, para que o produtor reduza a índices mínimos as perdas na colheita das três culturas.





