As pesquisas brasileiras que envolvem a cultura da soja sempre foram destaques mundo afora, tanto que firmar parcerias com outros países passou a ser fundamental para levar e trazer conhecimento de toda parte. Conforme Norman Neumaier, pesquisador e articulador internacional da Embrapa Soja, na maior parte do mundo o grão é produzido em latitude menores que a do Brasil, em regiões temperadas, subtropicais. O País, por sua vez, foi o primeiro do mundo que com base em pesquisas, desenvolveu tecnologia de produção de soja nos trópicos.
''Então surgiu o interesse de outros países em cultivar soja e usar toda a tecnologia que envolve essa produção. E esse potencial de tecnologia colocou a Embrapa como um dos principais parceiros'', frisa o pesquisador. Uma das mais significativas parcerias acontece com o Japão. ''O foco dos japoneses é para uma produção estável, então pesquisamos variedades tolerantes à seca e à ferrugem asiática'', exemplica Neumaier. O Japão, conforme ele, investe nas pesquisas com recursos financeiros e corpo técnico. A parceria é tão forte, que os japoneses têm um escritório dentro das instalações da Embrapa Soja, em Londrina.
Há ainda projetos com países da América Latina, os quais englobam pesquisadores da Argentina, Brasil e Chile. Segundo Neumaier, o objetivo é estudar genomas. Cada país tem suas tarefas e frequentemente os resultados são reunidos para avaliação. Há ainda um projeto mundial, do qual a Embrapa faz parte, que envolve Estados Unidos, Japão, Coréia. A parceria tem como foco o estudo do genoma da soja.
No que diz respeito às trocas de conhecimento, o pesquisador destaca que os Estados Unidos sempre foram muito importante para o Brasil. Nos anos de 1970, por exemplo, pesquisadores brasileiros passavam por treinamento no país norte-americano. ''Por conta disso, o Brasil conseguiu formar uma massa científica e intelectual'', frisa. A Embrapa ainda atua em diversos países prestando consultoria e treinamentos. Às vezes, profissionais daqui visitam outros países, e muitas vezes a sede da Embrapa em Londrina recebe comitivas de pesquisadores, técnicos e agricultores.
Uma das últimas parcerias firmadas pela Embrapa foi em 2009 com uma fundação da África do Sul de pesquisa de proteínas. ''Eles têm uma preocupação com o suprimento de proteínas na região. O país produz muito menos do que precisa'', ressalta Neumaier. A fundação, então, tenta incentivar pesquisas no setor. Segundo o pesquisador, eles têm recursos finaneiros e compram as pesquisas.
Neumaier reforça que o Brasil teve o tempo de importação de conhecimento, agora o País está em ''pé de igualdade'' no que envolve conhecimento científico. E a Embrapa, por sua vez, tem uma bagagem adquirida durante décadas. E na opinião do pesquisador, a melhor forma de desenvolver cada vez mais pesquisas é dividir o conhecimento. ''O avanço da ciência acontece com as parcerias. A democratização do conhecimento gera o crescimento'', finaliza. (E.Z)

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