O pequeno agricultor que deseja diversificar a produção e entrar em um nicho de mercado pouco explorado no País passa a contar com o Tecnobroto, tecnologia criada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para tornar mais acessível e simples o fornecimento de produtos como a conserva de broto de soja. De baixo custo, o equipamento permite a transformação de sementes em produtos comestíveis e de alto valor agregado em supermercados, nos mesmos moldes do tradicional broto de feijão (moyashi, no nome em japonês), feito com feijão-mungo e que ocupa 50% do mercado.
De acordo com a Embrapa, a conserva mais barata do derivado de soja custa em torno de R$ 10 e tem 200 gramas (g). Com 1 quilograma (kg) de sementes, é possível gerar 2,5 kg de brotos. O Tecnobroto permite que o agricultor produza o produto de forma automatizada e sem uso de químicos, contando com controle de temperatura da água e tempo de irrigação. Na prática, basta colocar as sementes, preparar o aparelho e reabrir de três a sete dias depois para recolher os brotos.
O pesquisador Marcelo Álvares de Oliveira, da Embrapa Soja, afirma que se trata de uma solução que visa melhorar a condição econômica do agricultor, que a cada cinco dias pode produzir 6 kg de brotos, em qualquer época do ano. "Hoje, o broto é produzido de forma arcaica e, com esse esquema, é possível contar com tecnologia e automatização para ter uma plantação maior", diz.
Oliveira aponta o baixo custo do equipamento, com instruções disponibilizadas gratuitamente pela Embrapa. São necessários caixas d’água de capacidade de 100 litros, bombas de drenagem d'água, mangueiras de PVC, bicos de aspersão, bomba de PVC para funcionar como depósito de água, "timers" para controle de frequência e tempo de irrigação, materiais elétricos, materiais hidráulicos, peneiras, sistema controlador de temperatura da água e boia para controle do nível da água no reservatório. "O mais caro são o recipiente que entra em contato com o alimento e as peneiras, que têm de ser de aço inoxidável", conta.
Além de servir para soja e feijão, o equipamento serve para outros tipos de brotos vendidos no mercado, como bambu e rabanete, e tem tamanho variável, conforme a necessidade. O pesquisador alerta, porém, que não há relação com a soja comercial produzida em larga escala. "É uma soja mais tardia, de ciclo determinado, que foge da commodity", cita. "É um nicho para quem busca o mercado de alimentação mais saudável, porque o teor de proteína do broto é de 43% enquanto o comum é 35%, além de ser rico em isoflavona", completa. A isoflavona é responsável por diminuir sintomas da menopausa ou o risco de osteoporose.
A Embrapa registrou o equipamento como tecnologia e não como patente, devido à simplicidade e possibilidade de qualquer pessoa adotar o sistema. Mais informações podem ser obtidas pelo endereço eletrônico www.embrapa.br/soja/tecnobroto, pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (43) 3371-6068/6067.

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