Técnicos garantem que a oferta será suficiente
Os técnicos da Embrapa-Soja, de Londrina, e da Secretaria da Agricultura questionam a informação da Associação Brasileira de Sementes (Abrasem) de que a oferta de sementes de soja no País não será suficiente para o plantio da safra 2001/2002. O engenheiro agrônomo Luiz Carlos Miranda, gerente da área de Negócios da Embrapa-Soja, de Londrina, disse que a estimativa da Abrasem sobre a falta de sementes é um exagero.
O volume de 76 mil toneladas, anunciado pela Abrasem, equivale a 1,5 milhão de sacas, que seriam suficientes para o plantio de um milhão de hectares de soja. Ou seja quase a metade da área plantada no Paraná, comparou Osnir Gasparin, chefe da Divisão de Sementes e Mudas da Secretaria da Agricultura.
Gasparin afirmou que a estimativa da Abrasem é prematura e adianta que o Paraná não tem problemas de oferta de sementes. Ele admite que problemas de germinação podem ocorrer, mas ainda é cedo para avaliar isso, afirmou.
Miranda, da Embrapa, também questiona a estimativa feita pela Abrasem. Segundo ele, a Abrasem é muito bem informada sobre a disponibilidade de sementes em todo o País, mas também é gestora dos negócios do setor, insinuou.
Segundo Miranda, os problemas com chuvas, citados pela entidade que congrega os produtores de sementes, não foram tão acentuados assim a ponto de prejudicar a produção de sementes. Segundo ele, a Embrapa não recebeu informações do Paraná e de outros Estados sobre escassez de sementes que fosse preocupante. Ocorreram chuvas na colheita em algumas regiões produtoras de sementes, mas não houve nada de excepcional, insistiu.
Miranda disse que a Embrapa já fez análises do material proveniente dos estados do Mato Grosso, Maranhão e Minas Gerais e não constatou nenhum problema de germinação. A quebra nesses estados poderá ser no máximo entre 5% e 7%, que é um índice considerado normal, afirmou.
No Paraná, as variedades de sementes de soja precoces e semi-precoces são as mais consumidas. Os agricultores têm preferência por essas variedades porque eles conseguem colher mais cedo e podem plantar o milho safrinha para aproveitar o período ideal que permite o plantio das duas safras. Outra razão para o consumo de variedades precoces, semi-precoces e de ciclo médio é o escalonamento, explicou o engenheiro agrônomo Afonso Sikora, da Divisão de Produção de Sementes e Mudas da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento.
O escalonamento no plantio de soja é uma técnica utilizada pelos produtores que têm grandes áreas. Eles mesclam o plantio com variedades precoces, semi-precoces ou às vezes até de ciclo tardio para não acumular a colheita. Assim, eles também poderão escalonar a colheita e o escoamento da produção rumo ao armazém ou ao porto.
Para Sikora, não deverá haver falta de semente de soja no Paraná. Segundo ele, no ano passado foram produzidas no Estado 209 mil toneladas de sementes, das quais foram consumidas 149,7 mil toneladas. Além disso, outras 19 mil toneladas foram venddidas para fora do Estado e teve uma sobra de 41 mil toneladas de sementes. Mesmo com a sobra, foram plantados 2,78 milhões de hectares.
Esse ano há uma disponibilidade de 178 mil toneladas, uma oferta maior do que a efetivamente consumida no ano passado. Portanto o volume existente poderá atender inclusive o aumento no plantio se realmente ocorrer, disse o técnico. Ele insiste que se houver falta de semente será de alguma cultivar específica.
Sikora orienta que se o produtor não encontrar a cultivar que ele costuma plantar, que procure as variedades de ciclo mais próximas de sua necessidade. Das 70 cultivares de soja à disposição dos produtores em todo o País, pelo menos 58 delas podem ser encontradas normalmente aqui no Paraná, afirma o técnico. Além disso, parte dos produtores de soja compram semente em outros Estados e ainda uma outra parte costuma plantar com semente própria. A Secretaria da Agricultura não sabe o volume de sementes compradas fora e nem o volume de sementes próprias utilizado no plantio.





