No Paraná técnicos do Serviço de Inspeção Federal (SIF), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento (Mapa), que trabalham nos frigoríficos habilitados a exportar carne bovina para o mercado externo (são dois), estão garantindo o cumprimento das normas do Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação Bovina e Bubalina (Sisbov). A garantia é do veterinário Aristofanes Rosa, que trabalha no SIF de Maringá.
As normas atuais, depois de muita alteração, indicam que animais que terão sua carne destinada a exportação devem chegar aos frigoríficos brincados e inscritos no Sisbov 15 dias antes do abate. Segundo o técnico do SIF animais fora desta regra não estão sendo aprovados para venda no mercado externo.
Na apresentação dos animais na indústria, com as devidas Guias de Trânsito Animal (GTA), preenchidas junto às unidades da Secretaria Estadual de Agricultura, os pecuaristas devem apresentar também uma chamada ''carteirinha'', documento que comprova que uma certificadora fez a brincagem e identificação, além de inscrever o animal no Sisbov no prazo estipulado. Nessa inscrição o animal fica com um número no Sisbov. No abate os técnicos do SIF, depois de comprovarem a documentação, deverão ''dar baixa'' neste número.
É neste momento que se comprova o prazo de 15 dias da inscrição.
As GTAs que acompanham o transporte do gado garantem origem do animal e o cumprimento de toda a exigência sanitária, como as vacinações. A guia é tirada um dia antes do embarque dos animais da fazenda para o frigorífico.
Ainda na documentação para o abate a ''carteirinha'' traz o número do animal e indica que ele foi brincado (vale também marca a fogo e não vale mais a marca à tinta) e que todas as informações foram processadas junto ao banco de dados do Sisbov. Informações como origem, idade, sexo e manejo sanitário.
Segundo o técnico do SIF, o Paraná vive uma situação diferenciada de outros Estados. Os dois frigoríficos habilitados para a exportação estão pagando R$ 1,00 a mais pela arroba de animais devidamente identificados, o que representa em média de R$ 16 a R$ 18 por animal e cobre os custos com a identificação de pelo menos 3,5 animais.
Com um custo de R$ 4,40 e recebendo R$ 18,00 por animal em média sobraria então, de acordo com Rosa, R$ 13,60 para que o pecuarista gastasse na identificação de outros animais de seu rebanho. Mesmo assim, de acordo com o técnico, quando passou a valer o prazo de 15 dias de identificação antes do abate teve frigorífico que ficou sem receber animais por dois ou três dias. Hoje a situação se normalizou e mais de 50% do gado que tem passado pela linha de abate estão identificados. ''Mas já houve situações de desclassificarmos lotes inteiros,'' revela o técnico.
O problema, segundo ele, é que os pecuaristas estão identificando somentes aqueles animais que serão rapidamente destinados ao abate. ''Muitos deveriam aproveitar essa remuneração de incentivo para identificar o restante do rebanho, já que existem prazos para identificar animais no País que deverão ser cobrados pelo Governo. Quando esses prazos acabarem os frigoríficos não se verão mais na obrigação de pagar incentivos para terem suas linhas de abate preenchidos e aí, sim, o pecuarista terá que arcar com os custos,'' alerta Rosa.
Por enquanto a adesão ao Sisbov é voluntária, mas as regras podem mudar. A exigência para abater somentes animais rastreados deve chegar ao mercado interno. A meta do Sisbov é a seguinte: em 2002 rastrear para a Europa; em 2003 em áreas livres de aftosa; em 2005 rastrear toda a carne a ser exportada e, em 2007, todo o abate feito no Brasil.

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