Técnica reduz custos na cafeicultura
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sexta-feira, 24 de junho de 2011
Mariana Fabre <br> Reportagem Local 
A região Norte do Paraná é a maior produtora de café do Estado, com área estimada de 60.858 hectares e produção de 82.967 toneladas. Com a mão de obra cada vez mais escassa, os custos de produção permanecem em contínua ascensão, impulsionados, principalmente, pelo valor de colheita. Com o objetivo de reduzir os gastos da cafeicultura, o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e o Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) desenvolveram uma técnica batizada de ''Safra 100''.
O cultivo de café caracteriza-se pela bianualidade de ter um ano de safra alta - em que a produção é elevada - seguido por uma safra baixa - em que a produtividade é reduzida. Segundo o diretor técnico-científico do Iapar, Armando Androciolo Filho, em anos de safra alta a média de produção no Paraná é de 2,3 milhões de sacas. Já em anos de safra baixa, a média estadual é de 1,5 milhão de sacas. Entretanto, ele lembra que as lavouras possuem períodos desencontrados de desenvolvimento e, por esse motivo, uma safra nunca é 100% alta ou baixa.
Com a ''Safra 100'', os produtores podem optar por colher a produção apenas a cada dois anos, cortando os custos de colheita durante a safra baixa, ou ainda potencializar a produção durante três anos e, no ano seguinte, não realizar colheita (a chamada Safra Zero). A prática teve início no Norte Pioneiro durante a década de 1970. Ao longo dos anos, o método foi aprimorado com o auxílio de pesquisas científicas e desde 2007 vem sendo desenvolvido com auxílio dos dois institutos técnicos.
''A técnica zera o custo de colheita em ano de safra baixa e reduz também os custos com insumos. É bom ressaltar que a adubação deve ser mantida mesmo assim para manutenção dos ramos produtivos'', salienta Androciolo Filho. Ele ressalta que com o uso da técnica, no ano de ''Safra 100'' a produção é maior do que em anos de safra alta comum. ''Enquanto as máquinas não vêm, os produtores podem usar essa medida para reduzir custos'', conclui.
De acordo com Androciolo Filho, o método é ideal para cultivo adensado, situação registrada em 60% das unidades produtoras do Paraná. ''É o modelo mais apropriado para as pequenas propriedades, predominantes no Estado'', avalia. Nas propriedades com cultivo adensado são reunidas de 7 a 10 mil plantas por hectare. Já o cultivo tradicional comporta aproximadamente 2,5 mil plantas por hectare.
Expansão
Segundo o responsável técnico pelo setor de café do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Paulo Sérgio Franzini, o Estado tem registrado aumento do uso da técnica ''Safra 100'' nos últimos anos. Ele explica que é possível observar esse crescimento por meio da mudança entre área em produção e área total cultivada com café no Paraná. ''Entre 2006 e 2008, a área em formação, que está em fase de manejo com poda, era de 5% a 8%. Em 2011 esse volume passou para 15% do total de área de café no Estado'', aponta.


