A multiplicação das variedades transgênicas da Embrapa foi realizada por 250 produtores de sementes de oito fundações de apoio à pesquisa de todo o Brasil. No total, foram cultivados 26,8 mil hectares, que resultaram em 670 mil sacas, as quais serão multiplicadas novamente na safra 2005/2006 antes de chegarem em grande escala aos agricultores.
Segundo o agrônomo Márcio Celso Reis Sandoval Júnior, responsável pelo setor de sementes da Fundação Centro-Oeste de Apoio à Pesquisa Agropecuária, parceira da Embrapa Soja na multiplicação de sementes no Cerrado, a expectativa é produzir 13 mil sacas nos 400 hectares cultivados. ''Após a colheita, a soja será replantada no pivô e multiplicada em outras 250 mil sacas'', assinala. ''No fim do ano, os sementeiros já poderão disponibilizar as sementes transgênicas para os produtores de grãos da região'', completa.
O agrônomo Milton Kaster, da Embrapa Soja, ressalta que os multiplicadores deverão pagar uma taxa que varia entre 3 e 8% do valor da saca de 50 quilos de semente, que corresponde ao royaltie destinado à empresa pelo uso da variedade. ''Para as cultivares transgênicas, o produtor deverá pagar ainda uma taxa tecnológica à Monsanto, correspondente à patente do gene resistente ao glifosato'', explica.
Segundo Kaster, o valor e a forma de cobrança dessa taxa tecnológica ainda estão sendo definidos pelo mercado. Já o royaltie da Embrapa é cobrado no momento da venda das sementes pelos multiplicadores. ''O sementeiro apresenta uma nota fiscal à Embrapa com o valor das sacas comercializadas e depois é feito o cálculo do royaltie, que é pago em sacas de soja'', diz. Ele calcula que as cultivares mais produtivas sejam as mais caras, por serem as mais procuradas pelos agricultores. (M.G.)

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