Sustento que vem de casa
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sexta-feira, 27 de março de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
Não-Me-Toque (RS) - Sucos, sequilhos, compotas, salame, mel, artesanato, erva mate, doces caseiros e mais uma infinidade de itens comercializados diretamente por quem produz. Assim é a agricultura familiar que a cada ano ganha mais espaço em feiras agropecuárias e na mesa dos consumidores. ''Eles crescem num ritmo interessante porque são caseiros'', define a supervisora de planos corporativos Alexandra Pasquali, enquanto visitava um estande exclusivo destinado a agroindústria na 10 Expodireto Cotrijal, no Rio Grande do Sul.
Para ela, a maior vantagem é a qualidade porque geralmente são produtos naturais. Como não estão subordinados às linhas de produção industriais é possível degustar alimentos mais saborosos. ''Isso também valoriza a mão de obra do produtor e a nossa própria saúde'', completa. Outro ponto de destaque é o preço, uma vez que não existe a figura dos atravessadores - que de um lado facilitam a distribuição, mas por outro encarece seu custo final. ''Nas mãos de quem faz acabamos pagando menos'', analisa Alexandra.
É justamente para aumentar sua margem de lucro que o apicultor Alair Vargas, que reside nas proximidades de Não-Me-Toque, cidade que sedia a Expodireto, cuida da venda dos potes e bisnagas de mel que produz. É dele a responsabilidade pelas 500 colméias distribuídas nos cinco hectares da propriedade onde emprega a esposa e outros familiares. ''Em épocas de safra contrato mais uma família'', comenta bem-humorado.
Vargas afirma que a produção de mel varia entre 10 a 12 toneladas por mês. Ele também integra uma cooperativa na região onde mora, no interior do Rio Grande do Sul, fato que lhe credencia a participar de feiras por todo o país. Segundo relata, já comercializou seus produtos em outras regiões como Brasília (DF) e Rio de Janeiro (RJ). ''Levando em conta as participações em eventos, dá para tirar uma média entre R$ 6 mil e R$ 7 mil mensais'', contabiliza.
Pedro Brizolla produz erva-mate e faz questão de destacar que participa de todas as etapas da produção. Seu trabalho começa na hora do plantio da semente, passa para os cuidados com o replantio das mudas e também fiscaliza pessoalmente a comercialização. O produto final é a erva típica usada para o chimarrão ou o tererê produzidos na zona rural de Não-Me-Toque onde também reside.
''Eu planto lá no meio da mata porque a qualidade do solo é melhor. A sombra atrapalha um pouco no primeiro ano, porque a planta ainda está em formação. Mas depois que ela se desenvolve vai que é uma beleza. Esse é um dos segredos para oferecer uma erva de qualidade'', revela Brizolla. Atuando há 20 anos no mercado, ele estima uma renda mensal de R$ 36 mil retirados de uma produção média de 15,5 mil quilos mensais que é comercializada com ênfase no Rio Grande do Sul. ''Por mês eu mando cerca de 500 quilos para o Mato Grosso.'', complementa.
Na avaliação do apicultor Alair Vargas, parte de sua autonomia comercial pode ser creditada ao apoio governamental oferecido por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) que, na prática, abatem custos como aluguel de estandes para pequenos produtores. As maiores despesas são com o transporte dos produtos e alimentação durante os dias de evento. ''A atividade familiar é um dos pilares da economia brasileira'', acredita.


