A expectativa de um ''boom'' na produção de combustíveis de origem vegetal tem trazido preocupações por parte de ambientalistas. A provável ampliação de áreas plantadas com cana-de-açúcar pode trazer impactos negativos para o solo, além de aumentar as emissões de gás carbônico por conta de queimadas realizadas antes da colheita do produto. Para alguns especialistas, no entanto, uma solução para reduzir esses impactos está justamente no SPDP.
Para Denizart Bolonhezi, pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), o plantio direto ''tem tudo a ver'' com a sustentabilidade do processo de produção de bioenergia. Ele defende a rotação da cana-de-açúcar com outras culturas como alternativa para a renovação do solo dos canaviais. Entre essas culturas rotativas, Bolonhezi sugere a produção de outras plantas que também podem gerar biocombustíveis, especialmente oleoginosas como soja, amendoim e girassol.
A palhada dessas plantas, alternada com a palhada da própria cana, ajuda a conservar o solo e aumentar a produtividade dos canaviais. ''Estudos australianos mostram um aumento de 46% na produção de cana quando há rotação com soja'', explica o pesquisador. Além disso, o plantio direto facilita a colheita da cana crua, sem necessidade de queimadas. ''A produção de plantas para biocombustíveis somado com o plantio direto na palha impediria a emissão de carbono equivalente ao que foi emitido em 20 anos com as queimadas pré-colheita no Brasil'', afirma Bolonhezi. (R.L.)

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