Sustentabilidade garante desenvolvimento
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sexta-feira, 13 de julho de 2001
Carolina Avansini De Londrina 
A prática da agricultura orgânica em larga escala utilizando o sistema de plantio direto é a melhor opção para garantir o desenvolvimento sustentável da agricultura paranaense. A tese é defendida pelo engenheiro agrônomo Osmar Muzilli, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que na semana passada proferiu a palestra Sustentabilidade e produtividade competitiva nos solos do Paraná, durante o 28º Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, em Londrina.
O caminho para essa nova situação, conforme Muzilli, é a profissionalização dos produtores, através de capacitação técnica e de gerenciamento. A organização em cooperativas e associações comunitárias também é fundamental para fortalecer o setor, assim como a geração de tecnologias que proporcionem a obtenção de produtos de qualidade sem degradar o ambiente. A agricultura deve ser praticada com racionalidade, minimizando o uso de produtos químicos, privilegiando a preservação do ambiente e garantindo qualidade de vida, explicou.
Reduzindo impactosSegundo Muzilli, a adoção dessa postura é fundamental para amenizar o desgaste dos solos resultante da implementação de uma política de mecanização agrícola, na década de 70, que impulsionou o setor graças ao uso de maquinários pesados e agroquímicos em excesso.
Essas ações elevaram os índices de produtividade, mas agregaram um conjunto de impactos prejudiciais ao ambiente, como a erosão e a contaminação das águas e solos por agrotóxicos. Além disso, trouxe resultados econômicos negativos nos custos da produção da lavoura, pois apesar de aumentar a produtividade, a mecanização exigiu investimentos elevados que desequilibraram a balança da sustentabilidade.
MecanizaçãoNo início do processo de mecanização da agricultura paranaense não existiam tecnologias disponíveis para a realidade do Estado, por isso as técnicas e máquinas eram trazidas de outros países e regiões brasileiras. Essa prática importada, de acordo com Muzilli, previa a utilização de grades pesadas e o uso exagerado de produtos químicos.
Em um primeiro momento, os produtores alcançaram altos índices de produtividade, mas a sustentabilidade da lavoura foi prejudicada a partir de 81, por causa da crise econômica instaurada com a crise mundial do petróleo, que resultou na explosão dos índices de inflação. Nessa conjuntura, os juros dos financiamentos que subsidiavam a produção subiram e os produtos agrícolas perderam a competitividade.
Os produtores começaram a perceber que precisavam de novas alternativas produtivas para enfrentar o problema. Na época, informou Osmar Muzilli, Iapar e Embrapa já tinham desenvolvido tecnologias distintas dos paradigmas vigentes. As novas medidas propostas preconizavam a substituição ou complementação dos processos mecânicos e químicos por processos biológicos e culturais.
O maior expoente dessas técnicas é o sistema de plantio direto, baseado na rotação de culturas e na adubação verde. Segundo o engenheiro agronômo, antes de sua instituição, os produtores combatiam apenas as consequências da erosão, utilizando terraceamento para evitar a enxurrada. No sistema de plantio direto, o problema é solucionado pela adubação verde, que melhora o nível de infiltração da água. Ele ressaltou que outro avanço foi a instituição de programas de conservação de solo unificados, acompanhando o contorno das microbacias.
DesafiosAtualmente, o Paraná é responsável pela geração de 25% de toda a produção nacional de grãos, ocupando 2% da área total cultivada no Brasil. Apesar desse índice, Muzilli acredita que a agricultura do Estado tem alguns desafios a serem vencidos. O primeiro deles é aumentar a produtividade mesmo com o esgotamento das fronteiras agrícolas. Outro aspecto é a manutenção da capacidade de competir no mercado mundial, fundamental para sobreviver diante da globalização.
Ele também afirmou que o Paraná não pode continuar sendo apenas produtor primário de grãos, mas deve agregar valor ao processo. É preciso investir em agroindústria para obter alimentos processados com qualidade satisfatória e valor agregado compensatório.
SoluçãoNesse contexto, ele defende que a produção orgânica em sistema de plantio direto é a solução mais adequada. O problema é juntar as duas coisas, mas no futuro, acho que a adesão aos orgânicos será em grande escala, comentou.
O pesquisador não acredita que essa perspectiva seja utópica. Quando se começou a defender a mudança do sistema convencional para o plantio direto, há vinte anos, as pessoas também achavam que era modismo, disse, complementando que o desenvolvimento desenfreado não é a melhor solução.
Ele também afirmou que as novas linhas de pesquisa, como a biotecnologia, devem se ajustar aos preceitos da sustentabilidade. Os transgênicos não são a salvação da lavoura, mas possuem aspectos positivos que devem ser aproveitados, opinou.
Pelo seu ponto de vista, é importante que as pesquisas sobre o tema sejam isentas de interesses comerciais, por isso a necessidade de serem desenvolvidas pelas instituições públicas. A pesquisa privada não é imparcial.


