Sustentabilidade deve ser o foco
"Não há futuro para a pecuária brasileira sem sustentabilidade." Assim define o presidente do Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS), Fernando Sampaio. Para ele, é inviável manter um modelo de produção que esteja focado somente no extrativismo para a produção de carne bovina. Além da maior exigência dos órgãos fiscalizadores, o consumidor está se conscientizando e cobrando mais por um produto com selo de rastreabilidade. Esse certificado atesta a qualidade de um produto.
Sampaio destaca que o consumidor tem exigido um sistema de produção que não tenha origem em áreas ilegalmente desmatadas ou que tenha ocorrido qualquer tipo de exploração irregular. Ele avalia que é possível dobrar a produção de carne e reduzir ao mesmo tempo os índices de desmatamento, gerando mais emprego e riqueza.
Para o presidente, a principal dificuldade do GTPS está em colocar em uma mesma mesa produtores, instituições financeiras, frigoríficos, organizações da sociedade civil e organizações governamentais para conversarem e chegarem a um denominador comum para que todos os setores saiam ganhando ao adotar um modelo de produção menos agressivo ao meio ambiente.
O grupo compartilha seus pilares de trabalho, que se apoiam em fazer com que os bons exemplos de produção ganhem escala na atividade. Uma das missões do GTPS é colocar a sustentabilidade em diversas propriedades brasileiras. A tendência, segundo Sampaio, é que cada vez mais os diversos agentes se unam em prol de uma pecuária mais sustentável. "Novas parcerias têm sido formadas, o que demonstra a percepção de que a união faz a força", observa o presidente.
Ele lembra que outra missão do GTPS é levar o conhecimento aos pecuaristas sobre as boas práticas de produção como manejo de pastagem, sanidade e bem-estar animal. "Um dos nossos trabalhos mais relevantes é o nosso 'Guia de Práticas para Pecuária Sustentável', que será lançado em setembro", anuncia.
Questionado pela FOLHA se os produtores brasileiros estão preparados para um modelo de produção mais sustentável, Sampaio afirma que isso é um grande desafio. Para ele, alinhar sustentabilidade com rentabilidade é possível. Para isso, é preciso elevar a produtividade sem invadir novos territórios. O presidente do GTPS destaca que eventos relacionados a dias de campo, por exemplo, quando um produtor de referência compartilha suas ações com seus vizinhos, proporcionam bons resultados.
Vale lembrar que é de extrema importância e uma exigência legal que o produtor respeite e cuide das Áreas de Preservação Ambiental (APP) e das Reservas Legais (RL) também na atividade pecuária. (R.M.)





