Suporte da pesquisa viabilizou produção
O Paraná tem cerca de 30 mil hectares cultivados com frutas cítricas. Também dispõe de três indústrias processadoras - duas em Paranavaí e uma em Rolândia (25 km a oeste de Londrina) - que exportam suco concentrado de laranja para diversos países da Europa. É uma realidade bem diferente da que existiu entre os anos de 1960 e 1980, quando o cancro cítrico inviabilizou o cultivo de citros no estado.
A doença, conforme explica o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Rui Pereira Leite Júnior, é causada por uma bactéria que seca os ramos da planta, causando a desfolha e a queda dos frutos antes da colheita. Com lesões, as frutas perdem seu valor comercial. ''A legislação simplesmente proibia novos plantios e determinava a erradicação dos pomares infectados'', comenta. Segundo ele, no final da década de 1950 os primeiros pomares foram erradicados e por cerca de 30 anos o Paraná foi abastecido por frutos vindos principalmente de São Paulo.
A mudança começou nos anos 1980, quando um grupo de pesquisadores do Iapar elaborou uma série de propostas técnicas para a retomada do plantio. Os primeiros resultados do chamado manejo integrado do cancro cítrico apareceram no início da década de 1990, com o plantio de pomares na região de Paranavaí.
Leite Jr explica que o manejo é baseado no zoneamento agrícola, erradicação dos pomares contaminados, plantio de cultivares resistentes e em aplicações preventivas de bactericidas. ''No Paraná, todo o processo de produção - desde a implantação de pomares até a comercialização e exportação dos frutos e derivados - é regulamentado por lei'', explica.
Viveiros e pomares só podem ser implantados depois da vistoria de técnicos da Secretaria da Agricultura, que comprovam que a área está livre do cancro cítrico e autorizam o plantio. Já a erradicação é utilizada para eliminar lavouras antigas, de variedades suscetíveis à doença. ''Caso o produtor queria continuar a atividade no mesmo local, a área deve passar por um período de quarentena fiscalizado'', completa Leite Jr.
O diferencial do manejo integrado é o uso de variedades resistentes. Desde o final da década de 1970, o Iapar tem selecionado mais de 20 novos materiais para as condições de clima e solo paranaenses. O manejo preconiza a utilização de mudas sadias, produzidas em viveiros fiscalizados. Mesmo com uso de variedades resistentes, os pesquisadores recomendam aplicações preventivas de bactericidas à base de cobre para proteger as brotações e frutos novos. ''A doença ainda existe, mas está sob controle e já não causa prejuízos aos produtores paranaenses'', finaliza o pesquisador.





