Supersafra não anima os produtores
O Brasil deve colher 35,4 milhões de toneladas de soja na safra 2000/2001, superando os 31 milhões de toneladas colhidos na última safra, indica o levantamento feito pela empresa FNP Consultoria e Comércio, de São Paulo. O Paraná deve contribuir com 7,67 milhões de toneladas, volume que supera em 7% os 7,16 milhões obtidos no ano passado, informou o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento. O número mantém o estado no posto de segundo maior produtor nacional, ficando atrás apenas do Mato Grosso.
Apesar das perspectivas otimistas, o clima é de descontentamento entre os produtores, que reclamam principalmente do baixo preço do produto no mercado - cerca de R$ 17,00 a saca. A análise do pesquisador Antônio Carlos Roessing, da área de Economia Rural do Embrapa-Soja, confirma o quadro. A expectativa era comercializar a safra a US$10 (R$ 20), afirmou.
Colheita A engenheira agrônoma Vera da Rocha Zardo, do Deral, informou que a colheita deste ano foi iniciada na região de Toledo e Cascavel e acrescentou que 20% da safra paranaense já foi colhida. De acordo com ela, a quantidade de área plantada diminuiu em 3% no estado, apesar do aumento na produtividade.
Vera atribuiu essa inversão às melhores condições climáticas de 2001 e ao investimento em tecnologia por parte dos produtores. Na safra passsada, os paranaenses plantaram aproximadamente 2,85 milhões de hectares (ha) com soja. Em 2000/2001, o número diminuiu para 2,76 milhões.
A região Norte do Paraná apresenta o maior índice de terras ocupadas pelo cereal, são 793 mil ha que perfazem 28,7% da área total. Em seguida vem a região oeste, com 707 mil ha (25,6%); o sul com 477,3 mil ha (17,3%); o centro-oeste com 440 mil ha (16%); o sudoeste com 276,3 mil ha (10%) e por fim, a região Noreste, com 72,5 mil ha de área plantada (2,6%).
Descontentamento Em Londrina, o produtor Adão de Pauli começou a colheita da soja esta semana. Ele plantou 220 ha do cereal e pretende obter 45 sacas/ha, a mesma média que colheu no ano passado. Não acredito em super safra, como andam falando por aí. Choveu muito e a soja gosta de sol.
Pauli afirmou estar descontente com o preço do produto no mercado. Ano passado vendi cada saca por R$ 18 e neste ano vai ser difícil conseguir mais que R$ 16,50. É como se tivessem diminuído meu salário. Ficarei descapitalizado e não vou poder investir na manutenção da propriedade, afirmou, observando que gastou cerca de R$ 12 por saca.
O produtor atribuiu a responsabilidade pelos baixos preços às indústrias e moedoras. Elas manipulam o mercado, reclamou. Para ele, a solução é conscientizar os produtores para que entreguem a soja apenas nas cooperativas, que teriam o poder de regular os preços.Vender direto para a indústria traz prejuízos no futuro, pois ocasiona queda nos preços. O produtor não deve pensar no lucro só a curto prazo, analisou.
Milho A produção de milho no Paraná aumentou nesta primeira safra de 2001. A previsão é colher 8,3 milhões de toneladas, contra 5,9 milhões em 2000, aumentando em 40% o índice de produtividade. A área plantada expandiu 19%, passando de 1,54 milhão de hectares para 1,83 milhão. A região centro-sul do Estado apresenta a maior concentração da cultura.
Com relação ao milho safrinha, Vera da Rocha Zardo informou que a área de plantio se reduziu em 20,8%. No ano passado a lavoura ocupou 1 330 600 ha, diminuindo para 898 mil ha até agora. Mas a área pode ser ainda menor, avaliou. Ela explica a diminuição pelo baixo preço do produto no mercado e pela falta de estímulo causada pela geada do último inverno. No total, o Deral prevê a produção de 11,5 milhões de toneladas de milho em 2001.
Segundo a agrônoma, muitos produtores vão substituir o milho safrinha pela adubação verde este ano, pois o Deral não identificou alterações na área plantada com o trigo, que se configura como opção de cultura no inverno. A safra de grãos de verão no Paraná deve totalizar 19,66 milhões de toneladas, apontando crescimento de 28%.





