Supersafra de café deve agravar crise
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2002
Carolina Avansini Reportagem Local 
Diante da previsão de uma safra brasileira de café 42% superior ao volume colhido no ano passado, a melhor solução para evitar o agravamento da crise de preços enfrentada pelo setor é prover recursos para que o produtor possa administrar a venda do produto, evitando uma oferta maior de café no período inicial da comercialização. A análise é de Francisco Barbosa Lima, coordenador regional do Departamento do Café (Denac) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em Londrina.
Ele explicou que os cafeicultores estão descapitalizados por causa da produção reduzida do ano passado, ocasionada pelas geadas e secas de 2000. Além disso, os preços estão baixos e há escassez de financiamentos, pois o Banco do Brasil ainda não se habilitou para liberar recursos do Funcafé. A conjuntura acabará obrigando muitos produtores a venderem a produção logo após a colheita. Com isso, aumenta a oferta e os preços podem permanecer nos patamares atuais ou até diminuirem, avaliou.
A situação pode ser amenizada se o governo federal disponibilizar recursos para financiar a colheita e o período de pré-comercialização, permitindo a venda parcelada do café. Na semana passada, representantes do Conselho Nacional do Café e Confederação Nacional de Agricultura se reuniram em Varginha (MG) para formalizar proposta de R$ 1 bilhão para financiar a produção deste ano.
ExcessoO MAPA estima que o Brasil produza em 2002 entre 37,6 milhões e 39,6 milhões de sacas. Esse número é superior à necessidade brasileira de consumo e exportação, que segundo Barbosa, é de 33 milhões a 35 milhões de sacas. O ano é de safra alta e deve chegar à previsão máxima porque as condições climáticas estão favoráveis, explicou.
Apesar das perspectivas, ele informou que os produtores não estão fazendo os tratos culturais adequados por falta de recursos. As consequências aparecerão apenas na safra de 2003, que tradicionalmente será menor por causa da supersafra desse ano. As lavouras estarão estressadas e poderá haver queda de produção maior que o normal, disse.
O especialista acredita que os preços devem começar a melhorar a partir do ano que vem, por isso, é recomendável fazer os tratos mais importantes para garantir lavouras produtivas quando os preços voltarem. Outra recomendação é manter apenas os talhões mais eficientes, eliminando as áreas de baixa performance.


