Pronto para o abate em apenas 14 ou 15 meses no regime de pasto. Esse é resultado da produção do novilho superprecoce, sistema de produção que a Emater está difundindo no espaço Via Rural (Fazendinha), durante a 43 Exposição de Londrina. O trabalho, já realizado em alguns pontos do Estado, agrada técnicos e produtores e é uma forma de agregar valor à produção pecuária e conquistar espaço no mercado.
A produção do superprecoce e do precoce (animais abatidos dos 20 aos 24 meses) faz parte do Programa Pecuária de Curta Duração, da Secretaria Estadual de Agricultura. O objetivo, segundo técnicos da Emater/Seab, que trabalham no projeto, é produzir carne de qualidade, com baixo custo, mais cedo, sem que para isso sejam necessários altos investimentos.
Os resultados do trabalho desenvolvido até agora mostram que é possível animais chegarem aos 15 meses com 16 arrobas, prontos para o abate, com acabamento de carcaça dentro dos padrões exigidos pelo mercado.
Segundo os técnicos da Emater o segredo está na escolha de bons animais para o cruzamento, manejo sanitário criterioso e cuidados com a alimentação desses animais. A base da dieta deve ser o pasto e a terminação é feita em quatro meses de confinamento.
''Os animais atingem boa conformação e cobertura de gordura, de três a 10 milímetros, bem distribuída, sem que para isso o pecuarista tenha que ter altos custos na produção,'' garante o zootecnista da Emater Ademir Antonio Rodrigues.
Na Via Rural a Emater está demonstrando esses resultados com animais cruzados das raças limousin com nelore; aberdeen angus com nelore, além de animais provenientes de cruzamento de três raças (nelore, charolês e angus).
Com a Pecuária de Curta Duração, segundo Rodrigues, a Emater pretende contribuir para o aumento dos indicadores da pecuária estadual e, também, brasileira.
Segundo Rodrigues, a pecuária brasileira ainda trabalha com baixos índices de desfrute do rebanho, em torno de 17% a 20%, mas tem potencial para chegar a 40%, ''com adoção de práticas como os da pecuária de curta duração.''
No Brasil, de acordo com o zootecnista, a idade média do gado para abate gira em torno de três anos a três anos e meio.
No Paraná cerca de 120 pequenas e médias propriedades já adotam o projeto de Pecuária de Curta Duração. ''Essa é uma tecnologia para quem quer se profissionalizar na área'', adianta Rodrigues. Ele destaca também que a vantagem é que o pecuarista poderá ofertar carne de qualidade e macia, já que os animais são abatidos mais cedo.
''A procura pelo produto é grande e a oferta não atende a demanda,'' revela Ademir Rodrigues. Segundo ele, os produtores engajados no projeto estão trabalhando com o conceito de aliança mercadológica, conseguindo agregar ainda mais valor ao produto.
As alianças, em funcionamento em Guarapuava, Paranavaí e Santo Antonio da Platina, reúnem grupos que vendem a produção em conjunto. Eles contratam frigoríficos para fazer o abate e entregam o produto direto a redes varejistas.
Rodrigues informa que existem outras iniciativas isoladas em alguns Estados para a produção do superprecoce. O número de animais precoces abatidos no País totaliza apenas 5% do rebanho que chega aos frigoríficos anualmente.

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