Supergalinha colonial: feita para botar
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sexta-feira, 16 de maio de 2003
Reportagem Local 
Uma galinha caipira, que produz três vezes mais ovos do que a média das poedeiras rústicas, foi uma das atrações do estande da Embrapa na AveSui, feira dos setores de avicultura e suinocultura, que aconteceu esta semana em Florianópolis (SC).
A galinha, poedeira Colonial Embrapa 051, põe entre 280 a 300 ovos durante o seu período de produção, enquanto uma galinha caipira comum atinge 80 ovos. Segundo o pesquisador Valdir de Avila, da Embrapa Suínos e Aves, de Concórdia (SC), a ave é indicada como alternativa de renda para pequenos produtores. A recomendação é de 500 aves por produtor que devem ser instaladas em pequenas áreas, com baixo investimento ou em instalações já existentes nas propriedades que podem ser adaptadas.
As poedeiras devem ser criadas em regime semi-extensivo, ou seja, com galpões e piquetes de grama, num manejo mais rústico. A estimativa de renda com 500 aves, desde que o produtor se programe para vender a produção, a R$ 1,50 a dúzia, é de R$ 250 mensais, líquidos sem contar a mão-de-obra própria destinada a atividade.
O investimento necessário para iniciar a criação de 500 aves, segundo o pesquisador da Embrapa, fica em média em R$ 3 mil, para comprar equipamentos como comedor tubular e bebedouro pendular, ninhos, e outros. Se o produtor já tem uma área de construção que pode abrigar o galpão a tendência é de redução de custos. De acordo com Avila o retorno do investimento pode retornar em um ano.
A criação, afirma Avila, pode ser indicada para aqueles produtores com poucas alternativas de produção, que plantam feijão e milho para subsistência e vendem o que sobra, sem outras fontes de renda. Mas ele alerta que é importante que atividade possa ser feita em grupo, com compra de insumos e venda dos ovos em conjunto, a fim de obter melhor rentabilidade. Ele conta de um grupo de Irati, no Paraná, apoiado pela prefeitura, que está fazendo a produção de ovos da poedeira da Embrapa. A produção é vendida na cidade e há perspectiva de ampliar o mercado, vendendo os ovos em Curitiba.
A Embrapa comercializou no ano passado 50 mil poedeiras, em lotes de 300 aves, beneficiando cerca de 200 produtores em nove estados brasileiros. As aves podem ser adquiradas junto a distribuidores credenciados pela Embrapa. No Paraná a Gralha Azul, de Francisco Beltrão, é um destes distribuidores.
Combate à fome - Com a divulgação da galinha poedeira, a Embrapa está incentivando a produção de ovos coloniais e o aumento de consumo. Segundo os pesquisadores a produção de ovos têm condições de ajudar o País a vencer a fome, já que é um dos alimentos mais completos do ponto de vista nutricional e com custo baixo.
Cada brasileiro consumiu no ano passado, em média, 84 ovos, segundo o Anuário da Pecuária Brasileira 2002, quantidade considerada baixa diante dos padrões de consumo mundiais. Nos Estados Unidos, por exemplo, cada habitante consome 304 ovos por ano. Caso o consumo triplicasse no Brasil, muitos brasileiros superariam a desnutrição e milhares de produtores, entre eles os pequenos e médios que investem em ovos coloniais, seriam beneficiados com o aumento da produção.
Durante o evento em Florianópolis, com destaque para a galinha poedeira, foi instalada a Câmara Setorial de Aves, Suínos, Milho e Sorgo, reunindo entidades das cadeias de produção de carnes e de ovos, além de representantes dos ministérios da Agricultura, do Meio Ambiente, da Fazenda e do Desenvolvimento Agrário e da Secretaria de Segurança Alimentar e Combate à Fome. O objetivo discutir e apresentar soluções para alguns problemas crônicos do setor, como o do abastecimento de milho, insumo básico para a produção de carnes e de ovos.
A AveSui reúniu mais de 200 empresas dos segmentos de nutrição, genética, processamento, saúde animal e equipamentos, entre 14 e 16, no Centro de Convenções de Florianópolis (SC).


