Cristina Côrtes
De Londrina
Tem muito produtor aplicando indiscrimadamente calcário nas suas propriedades, provocando diversos problemas, como a dificuldade de fixação bacteriológica do nitrogênio e a insolubilidade dos micronutrientes, o que vai levar à deficiência nutricional e pouco desenvolvimento das plantas.
‘‘A situação é generalizada em todo o Brasil, e no Paraná, especialmente, nos últimos anos os produtores estão tendo que aplicar micronutrientes, implicando em mais gastos’’, alerta o pesquisador Gedi Jorge Sfredo, da área de Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas, da Embrapa Soja. O prejuízo é grande, explica Gedi, pois somam-se o gasto a mais com o calcário jogado em excesso, a despesa com compra de micronutrientes, e ainda se corre o risco de ter uma produção menor.
AnáliseTudo isso poderia ser evitado, se produtor fizesse uma boa análise de solo, e seguisse as orientações de aplicações nas doses certas, feitas por um profissional.‘‘Conhecendo sua área, o produtor poderá identificar parcelas com necessidades diferentes e fazer a aplicação mais racional’’, comenta Gedi.
Para quem ainda vai a fazer a calagem antes do plantio da safra de verão, o pesquisador alerta também para a forma de aplicação. Se for feito de forma superficial, não penetra adequadamente.‘‘É preciso revolver o solo numa profundidade de 25 a 30 centímetros, e isto se consegue com o arado, que muitos produrtores deixaram de usar. Se a aplicação for feita com grade, o solo fica muito pulverizado e o calcário não é aproveitado de forma adequada’’, explica.
Gedi destaca também outro problema, que é a recalagem. A recomendação de aplicação do calcário é feita para um efeito residual de 4 a 5 anos. Se o produtor fizer a aplicação, e depois de um ano fizer análise de solo, o resultado ainda vai apontar acidez. Se fizer dois ou três anos depois, a mesma análise ainda vai apresentar falta de calcário. ‘‘É comum o produtor fazer a recalagem desnecessariamente. Depois de 10 anos vai sentir cair a produtividade de sua área e não sabe o que aconteceu’’, comenta.
Tipos de calcárioNas palestras que faz por todo o Brasil, o pesquisador Gedi alerta para estas questões, e conta que costuma brincar com os produtores, dizendo que se tivesse autoridade para definir preços, iria aumentar o preço do calcário em pelo menos cinco vezes, para que o produtor usasse o insumo com mais cautela. ‘‘O calcário é um produto muito barato, de que o governo sempre incentivou o uso, e muitos produtores pensam que quanto mais colocar, melhor a terra vai ficar, mas o excesso é bastante prejudicial, porque é muito dificil retirar do solo depois de aplicado’’, diz.
Existem três tipos de calcário disponíveis pra o produtor, e só com a análise é possível saber qual é o certo. Tem o calcítico (composto essencialmente de cálcio); o magnesiado (um intermediário entre o cálcio e o magnésio) e o dolomítico (com bastante magnésio). Dependendo das condições do solo, pode ser feita uma composição entre os três, de acordo com a necessidade.
Existem solos que se tornaram ácidos depois de explorados intensivamente. É o caso do Paraná, onde muitas áreas estão degradadas, com pH baixo e presença de alumínio tóxico. E outros que são ácidos desde sua origem, como no Centro-Oeste. ‘‘No Cerrado é necessário ‘‘construir’’ o solo, para poder produzir, colocando todos os componentes necessários, porque a estrutura do solo existente só serve mesmo para sustentar a planta’’, completa Gedi.
O produtor Élio Morandim está fazendo aplicação de calcário sobre a palhada de milho em uma de suas áreas. A propriedade fica na Estrada da Prata, no município de Cambé, próximo de Londrina. No total, ele vai plantar nesta safra 270 alqueires de soja, com a variedades Embrapa 48 e Embrapa 133, e sempre faz a aplicação de calcário com base na análise de solo. Sua produtividade tem sido de 135 a 140 sacas por alqueire.O calcário é um elemento essencial para equilibrar solos ácidos, mas colocado em excesso traz prejuízos
O solo precisa receber a quantidade certa de calcário, para não prejudicar o desenvolvimento das plantasO pesquisador na Embrapa Soja, Gedi Sfredo, alerta para o uso indiscriminado do calcário nas lavouras em todo o BrasilO calcário é um insumo barato e o produtor acaba usando em excessoO produtor Élio Morandim só faz aplicação de calcário com indicação da análise de solo e tem bons resultadosSolosNas áreas preparadas para o plantio direto, a aveia espera o momento certo para ser incorporada

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