Sul quer reforçar combate à aftosa
Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná discutem e traçam estratégias emergenciais para evitar a contaminação dos seus rebanhos, diante dos novos focos da doença na Argentina. De acordo com o chefe do Departamento de Fiscalização da Secretaria de Agricultura do Paraná, Luiz Carlos Hatschbach, os Estados da região Sul estão atuando em cinco frentes principais.
Cada um deles requisitou ao Ministério da Agricultura um montante para ser aplicado no reforço das estruturas de sanidade animal. O secretário de Agricultura do Paraná, Antônio Leonel Poloni, enviou pedido de R$ 21 milhões e 770 mil. Como estamos em caso de emergência, esperamos receber isso logo, revelou Hatschbach.
Força A medida mais reivindicada, principalmente pelo Rio Grande do Sul, é a presença das Forças Armadas para colaborar na fiscalização das fronteiras. Hatschbach estima que essa medida pode até quintuplicar o efetivo nas áreas. Além disso, dá uma conotação de respeito muito grande, avaliou.
Outra ação com o objetivo de proteger as divisas entre Brasil e Argentina é o deslocamento de técnicos para trabalharem nos postos de fiscalização do Ministério da Agricultura. No Paraná, foram disponibilizados 16 técnicos da secretaria e de 10 a 15 fiscais da Companhia de Classificação de Produtos do Paraná (Claspar), que realizam a fiscalização interestadual. Também estão sendo contratados, em caráter imediato, mais 25 médicos veterinários pelo governo paranaense, para atenderem unidades de sanidade animal em todo o Estado, principalmente na região Sudoeste.
A medida seguinte é a proposta para que o Ministério da Agricultura faça uma auditoria nos três Estados para constatar se não há negligência no controle da doença. Não adianta ficar criticando, sem saber se as estuturas internas estão corretas, afirmou Hatschbach. Mas no Paraná estamos cumprindo nossa lição de casa, acrescentou.
CampanhaTambém está previsto uma grande campanha de educação sanitária. Vamos envolver a sociedade porque sozinhos não temos capacidade (de resolver o problema), explicou Hatschbach. No dia 27 de março, está previsto um grande evento em Francisco Beltrão, cidade-pólo di Sudoeste do Paraná, para marcar esse trabalho. Apesar de o pessoal já estar consciente, vamos fazer.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Carne e Derivados do Paraná (Sindicarne), Péricles Salazar, considerou muito boas as iniciativas divulgadas pelas secretarias de Agricultura. É impossível dizer se elas são suficientes para conter a doença, pois há muitas maneiras do vírus escapar, mas com certeza inibem bastante essa possibilidade, avaliou Salazar.
Rio Grande do Sul e Santa Catarina fazem parte do circuito Sul de carne. Em maio de 1999, essas federações foram consideradas pela Organização Internacional de Epizootias (OIE) áreas livre da aftosa com vacinação. Mas, segundo Salazar, em meados do segundo semestre do ano passado, esses Estados deixaram de medicar os rebanhos, com o objetivo de pleitear à OIE, em 2002, o status de área livre sem vacinação.
Uma iniciativa do Ministério da Agricultura, anunciada na última segunda-feira, dia 19, deve colaborar na guerra contra a aftosa. Os aeroportos brasileiros que recebem vôos internacionais, em São Paulo, no Rio de Janeiro, Santos, Curitiba e em Porto Alegre, estão sendo equipados com um tapete, chamado de pedilúvio, feito de material sintético, com carbonato de sódio a 4%, feito para matar o vírus.





