Em melhor situação, a suinocultura ainda mantém preços médios superiores aos registrados em 2016; queda no valor da alimentação dos animais ajuda a segurar índices
Em melhor situação, a suinocultura ainda mantém preços médios superiores aos registrados em 2016; queda no valor da alimentação dos animais ajuda a segurar índices | Foto: Arquivo FOLHA



Apesar da queda de preços do suíno em 3,5% na análise comparativa entre os meses de outubro, digamos que a situação atual não é tão desfavorável ao produtor. Até agora, entre janeiro e outubro, o valor está em R$ 3,62 o quilo, superior a média de R$ 3,36 fechada em 2016. Ou seja, o suinocultor não pode reclamar atualmente dos pouco mais de R$ 3,50 pagos pelas empresas por meio do sistema de integração - a relação indústria/produtor mais recorrente que se tem no Estado.

O vice-presidente administrativo da APS (Associação Paranaense dos Suinocultores), Gilberto Antônio Minosso, relembra que em anos anteriores a situação estava bem mais complicada. A justificativa estava na dificuldade de alimentar os animais com os preços do milho e farelo de soja nas alturas. "O animais gordos saíam da propriedade por R$ 100 e isso nos dava um grande prejuízo. Agora, estamos com um grande diferencial, que se trata da queda nos preços da alimentação."

Minosso relembra que os suinocultores do Oeste e outras regiões chegaram a pagar R$ 70 pelo saco de milho em temporadas passadas. Meses atrás, o valor estava girando entre R$ 18 e R$ 20 a saca e, neste momento, a comercialização está na casa dos R$ 22 a R$ 25. "Farelo de soja está permanecendo em preços estáveis e devem continuar assim, não passando dos R$ 30. Vemos isso com muita tranquilidade (para a cadeia)."

O representante da APS relata que o maior "choramingo" está entre os suinocultores independentes, que longe da integração, acabam sofrendo mais com as negociações do produto. "É claro que eles estão dentro da razão, querem ganhar mais. A grande questão é que eles atuam junto aos frigoríficos independentes, e como há intermediários nessa venda, acabam ficando à mercê dessas negociações, um percentual que morre na mão do atravessador".

Por isso, segundo Minosso, a importância de fortalecer a Lei de Integração, que trata de forma normatizada essa relação entre integradoras e integrados. "Estamos procurando uma estabilidade dentro dessas integrações, gerar produção, engorda e terminação dos animais mais consistentes junto às empresas." Por fim, ele acredita num 2018 de cenário muito similar a este ano. "Não vejo muita diferença, pois acredito que o preço dos insumos não deve mudar tanto daqui em diante, a safra está dentro do programado."

Imagem ilustrativa da imagem Suínos: sem medo do cenário



SUSPENSÃO
A ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) se manifestou com preocupação a respeito da decisão do Serviço Federal Sanitário e Fitossanitário da Rússia (Rosselkhoznadzor) em suspender a carne suína nacional. Segundo a entidade, "a suinocultura brasileira trabalha seguindo os princípios de qualidade e sanitários exigidos pelos diversos países, como é o caso da Rússia e os mais de 70 mercados importadores do produto do Brasil".

Para o vice-presidente da APS, Gilberto Minosso, a Rússia sempre foi vista como um país com "trâmite difícil" para negociar. "Em contrapartida, estamos tendo compensação (nas vendas) com outros países que não compravam de nós." (V.L)

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