Considerada até pouco tempo vilã na alimentação humana, a carne suína aos poucos vem reconquistando o lugar na mesa dos brasileiros, como opção de qualidade. Na ceia do Natal, a maciez e sabor do lombo ou pernil recheado agradam o paladar de muitas pessoas.
A qualidade da carne suína oferecida hoje é resultado do manejo dos animais na granja, da alimentação balanceada, cuidados sanitários e da genética. Hoje é possível consumir carne com baixo teor de gordura, de fácil digestibilidade e com alto valor nutricional.
Os avanços, aliados a campanhas sobre os benefícios do produto, permitiram um aumento no consumo nos últimos anos. Segundo a Associação Paranaense de Suinocultores (APS), entre 1990 e 1995 cada brasileiro comia, em média, nove quilos de carne suína. Atualmente o consumo per capita chega a 14 quilos, bem abaixo da média de alguns países europeus. Na Alemanha, por exemplo, esse índice é de 68 quilos, e na China chega a 72 quilos.
No estados do sul, onde se concentram os maiores produtores, tem aumentado a participação da carne suína na dieta da população e o consumo per capita chega a 19 quilos. O presidente da APS, Irineu Wessler, aposta no crescimento ainda maior da procura pelo produto, resultado de algumas ações por parte dos produtores. ''Agora temos que agir da porteira para fora. Até então investimos na qualidade do produto que oferecemos. Nesse momento temos que incentivar o consumo mostrando as vantagens da carne suína'', diz.
Para o presidente da APS, o setor deve se adequar às exigências do consumidor. ''Hoje em dia as famílias não são numerosas, as donas de casa têm outras ocupações e devemos oferecer facilidades'', afirma Wessler. Cortes específicos podem estimular a população a levar o produto para casa e mudar os seus hábitos alimentares.
''O supermercadista deve oferecer a carne suína em pequenas porções, como duas bistecas ou quatro picanhas, com pouca gordura e em embalagens exclusivas'', diz. Segundo ele, a Associação Brasileira de Criadores de Suínos desenvolveu 42 cortes técnicos de carcaça. ''Os donos de supermercado também vão se beneficiar porque haverá um giro maior do produto no mercado'', avalia Wessler. (R.C.)

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