Suinocultura pede EGF para sustentar mercado
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sexta-feira, 14 de junho de 2002
Oswaldo Petrin 
Em crise desde janeiro deste ano, quando os preços ao produtor começaram a despencar, a suinocultura está sugerindo ao governo pelo menos duas medidas para começar a reverter a situação: a) Criação de uma linha de financiamento (AGF) para estocagem da carne na indústria e, assim, manter o fluxo de compra, b) Suspensão imediata do crédito de investimento e fomento, já que a ampliação do criatório, neste momento, implica em manter a oferta de carne, responsável pelo achamento dos preços.
Documento com essas propostas será entregue ao ministro da Agricultura no próximo dia 19 em Brasília pela Associação Brasileira de Criadores de Suínos e entidades estaduais, além de outros segmentos da cadeia da carne suína.
O presidente da Regional Norte da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), José Luiz Vicente da Silva, reuniu dados sobre a acentuada queda nos preços nos últimos meses, enquanto, paradoxalmente, as margens de lucros dos setores industrial e varejista aumentavam. Não é por acaso que as indústrias exibiram grandes resultados nos seus balanços do ano passado, conforme mostraram os jornais da época, comentou.
Houve brutal transferência de renda da ponta produtiva para a indústria e supermercados; principalmentepara a indústria. O que intriga os produtores é que a queda nos preços por eles recebidos não é transferida para o consumidor, que continua pagando os mesmos valores de um ano atrás, quando os preços estavam em alta na granja. Se a indústria e os supermercados quisessem transferir as vantagens para os produtores - mantendo sua margem de lucro na média histórica - o consumo poderia aumentar, o que seria bom para todos, segundo o representante da APS. No entanto, o que se observa é um aumento do lucro dos setores intermediários, conforme dados da Associação Brasileira de Criadores de Suínos.
José Luiz também disse que o setor foi prejudicado pela desinformação e falta de visão do mercado a longo prazo. As autoridades do governo superestimaram a capacidade de absorção do mercado internacional e acharam que as exportações continuariam crescendo. A euforia envolveu os produtores que aumentaram a oferta praticamente sem planejamento algum.
O mercado, que até dezembro do ano passado pagou R$ 1,58/kg (peso vivo/granja), um mês depois, em dezembro, ofertou no máximo R$ 1,40/kg. Mas não ficou neste nível: como a oferta se manteve crescente, o preço chegou ao fundo do poço: 95 centavos.
Na verdade este preço já foi menor e, esta semana, deu sinais de reação em reposta ao nosso movimento - disse José Luiz, referindo-se às manifestações regionais que a APS vem realizando principalmente no Sudoeste, ao mesmo tempo em que gestiona junto aos políticos para encontrar uma saída.
Além do dia de protesto em Francisco Beltrão, os suinocultores estão articulando com a CPI dos alimentos, para realizar audiências públicas e tentar organizar o setor.
O preço do milho, que puxou os custos de produção, não é o principal responsável pela queda de renda dos suinocultores. Os custos, segundo eles, são administráveis, quando se tem um mercado comprador, sem aviltamento dos preços finais.


