Em 2012, o suinocultor paranaense teve pesadelos com o preço do milho. A alta da commodity – insumo responsável por 70% do custo de produção – atingiu níveis elevados e atrapalhou a comercialização do animal no Estado. Associado ao valor da saca do grão, a alta oferta de carne no mercado forçou os valores para baixo, fazendo que os produtores não atingissem os patamares mínimos para obter lucratividade.
Mais uma vez quem suportou a pressão imposta pelas situações recorrentes do mercado agora pode se tranquilizar. Os preços voltaram a patamares rentáveis, ultrapassando, em diferentes meses, a casa dos R$ 3 e, desde o final do ano passado, a comercialização está mais enxuta, porém rentável. O cenário positivo do biênio 2013/14 leva os especialistas a acreditarem num aumento de produção que pode variar entre 15% a 20% - dependendo da demanda – e atingir a casa das 730 mil toneladas no Estado, de acordo com estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab).
Vale lembrar que em 2012 a produção foi de 682 mil toneladas e, no ano passado, sofreu queda de 10% justamente por haver muita carne de porco no mercado. "A suinocultura sofreu com a oferta elevada sem que a demanda acompanhasse e agora está se recuperando. Em 2012, a situação era terrível para o produtor e atualmente é de maior normalidade e reajustes, que começaram no ano passado", explica o técnico do Deral especialista no assunto, Edmar Gervásio.
Sem dúvida, os custos de produção precisam estar compatíveis com a comercialização. A média de 2013 para produzir um quilo de carne suína ficou, em R$ 2,65. Se o produtor vende agora o quilo a R$ 3,10 (média de abril), sua margem líquida gira em torno de 17%. Só como análise comparativa: o custo chegou a R$ 3 em 2012, enquanto a média de venda do animal foi de R$ 2,38, ou seja, o suinocultor estava literalmente pagando para trabalhar e engordar seus animais. "O ideal seria R$ 3,50, mas quem se manteve firme na atividade agora não pode reclamar. O cenário é de recuperação e estabilidade interessante desde o ano passado", decreta Gervásio.
A exportação – apesar de ser pequena – também deve ganhar novo fôlego este ano. Entre 2012 e 2013, ela sofreu queda de 20,5%, de 54,3 mil toneladas para 43,2 mil toneladas, justificada pela redução de vendas para a Ucrânia (-98%) e Argentina (-58%), devido a barreiras tarifárias (leia-se, políticas) impostas por esses países.

Continue lendo:

- ‘Vivemos um momento ímpar’

- Qualificação mantém granja no mercado

- Adapar vai controlar pequenas propriedades

- Preços sobem nas principais praças


Imagem ilustrativa da imagem Suinocultura mais enxuta e rentável
mockup