Falta de rentabilidade nos negócios externos devido à questão cambial reforça a opção que os suinocultores fizeram já no primeiro semestre do ano em focar o mercado interno, incentivando o aumento do consumo entre os brasileiros. De acordo com as entidades que representam o setor, entre janeiro e outubro as exportações cresceram 8,68%, para 511,76 mil toneladas. Mas o recuo na receita foi brusco: 23,2%, para US$ 1,02 bilhão.
Outras questões mobilizam os produtores. De acordo com Irineu Wessler, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), os preços pagos tiveram ligeira melhora. ''Depois de um período em que a gente só perdia, hoje os valores empatam com os custos de produção. Mas ainda estamos na laterna'', diz. Nesta semana, os produtores receberam, em média, R$ 2,10 por quilo do produto.
Para equacionar dificuldades financeiras, os suinocultores pleiteiam ao governo condições para o pagmento de dívidas. Segundo Wessler,em todo o país o montante das dívidas do setor chega a R$ 600 milhões. ''Aguardamos o retorno da solicitação feita há 60 dias ao ministro Reihnold Stephanes (da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) de parcelamento das dívidas'', afirma. A ABCS reivindica que as parcelas vencidas e a vencer deste ano sejam transferidas para o final do contrato, e que aos financiamentos com parcela única seja concedido prazo de um ano para pagamento.
De sua parte, a associação tenta reunir os produtores em torno de ações para incentivar o consumo no Brasil. Wessler afirma que a mobilização envolve toda a cadeia produtiva da carne suína. ''Todos devem ser meio marqueteiros. A responsabilidade do produtor, por exemplo, não termina quando o animal deixa a propriedade e sim quando o consumidor leva o produto da gôndola do supermercado'', diz. Entre as ações, as entidades propõem novos cortes e formas de preparo da carne.

mockup